Mais de 2,7 mil mulheres são vítimas de violência doméstica em Cuiabá; maioria é solteira, parda e desempregada (G1 – 04/05/2018)

Anuário feito pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher revela perfil das vítimas na capital. Levantamento foi divulgado na quinta-feira (3).

Mais de 2,7 mil mulheres foram atendidas na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) em Cuiabá durante todo o ano de 2017, segundo dados do 1º Anuário de Atendimento da DEDM da capital, lançado na quinta-feira (3).

O levantamento mostra que a maioria das vítimas compatilha de um mesmo perfil: são solteiras (1.076), pardas (835), com idade entre 27 e 40 anos (1.090), desempregadas (196) ou do lar (196) e sofreram violência praticada pelo convivente ou ex-companheiro (1.071).

Quando analisado o estado civil das vítimas, verifica-se que logo atrás das solteiras, aparecem as mulheres casadas (499) e conviventes (449).

O levantamento aponta que as solteiras lideram o ranking porque “vivenciavam situação de convivência com os autores do fato e, ao decidirem quebrar este ciclo de violência, não necessitam da efetiva separação judicial”, já se declarando como solteiras no momento do registro da ocorrência.

Quanto à faixa etária das vítimas, também destacam-se mulheres com idades entre 41 e 65 anos (812) e entre 19 e 26 anos (511).

Sobre o fato de que as muheres entre 27 e 40 anos liderarem o perfil, o anuário atribui ao fato de que trata-se de um “período em que a mulher possui maior empoderamento para quebrar o ciclo de violência e se vê encorajada a refazer sua vida pessoal e profissional”.

A análise do perfil profissional revela que, mesmo possuindo um nível de escolaridade mediano, grande parcela das vítimas continuam em condição de vulnerabilidade econômica.

Porém, o anuário mostra que, logo atrás daquelas que se declararam desempregadas ou do lar, aparecem mulheres que atuam como vendedoras (106), auxiliares de serviços gerais (101), estudantes (99), servidoras públicas estaduais (96) e aposentadas (96).

Ocorrências

Um levantamento feito pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e divulgado no anuário mostra que, em todo o ano de 2017, um total de 4.542 registros de ocorrências de ameaças foram realizados por mulheres com idades entre 18 a 59 anos, em Cuiabá; outras 2.003 vítimas com esse mesmo perfil registraram queixa de lesão corporal.

Em relação a crimes contra a honra da vítima, tais como injúria, difamação e calúnia, foram registrados aproximadamente 3,7 mil ocorrências.

O estudo destaca que o número de ocorrências na capital refere-se a registros feitos em todas as unidades de polícia de Cuiabá, não apenas na delegacia especializada.

“Sobressai à evidência que nem todas as vítimas que registram um boletim de ocorrência comparecem na Delegacia da Mulher para atendimento ou para a representação contra o autor, mesmo quando intimadas, decorrendo-se daí a inexistência de pronto atendimento em relação a essa demanda”, destaca o anuário.

De acordo com a delegada Jozirlethe Magalhães Criveletto, que comanda a DEDM, o objetivo do anuário é melhorar o planejamento e implementação de ações especializadas de combate ao feminicídio.

Segundo ela, com o perfil das vítimas e dos agressores traçados, o poder público pode melhorar a política de atendimento às vítimas.

Lislaine dos Anjos

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