Mais de 40 mulheres foram vítimas de feminicídio em Minas neste ano

De acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Segurança Pública, cinco destas vítimas são de Belo Horizonte; médica que foi agredida pelo ex-marido criou o movimento ‘Colheres de Ouro’ para denunciar casos de violência contra mulheres.

Quarenta e duas mulheres foram mortas em Minas Gerais neste ano vítimas de feminicídio. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Mais um caso de possível feminicídio foi registrado em Paracatu, na Região Noroeste de Minas, na noite da última terça-feira (21). Heloísa Vieira Andrade foi morta por um golpe de canivete no pescoço, na casa de parentes, e o ex-companheiro dela é o principal suspeito.

Depois, ele foi gravado dentro da Igreja Batista Shalom atirando contra o pastor, que morreu. Outras duas mulheres também morreram durante os disparos. Estes três já foram enterrados e o corpo de Heloísa deve ser enterrado na tarde desta quinta-feira (23).

Desde que a lei do feminicídio foi sancionada, em 2015, 604 mulheres foram assassinadas em Minas, 36 delas em Belo Horizonte. E somente nos primeiros meses de 2019, já são 42 vítimas, cinco na capital. Em 92% dos casos, os criminosos são companheiros e ex-companheiros delas.

Quarenta e duas mulheres foram vítimas de feminicídio em Minas neste ano — Foto: Reprodução/TV Globo

Quarenta e duas mulheres foram vítimas de feminicídio em Minas neste ano (Foto: Reprodução/TV Globo)

Segundo o levantamento da secretaria, a maioria destas mulheres tinham entre 21 e 25 anos.

A delegada Ingrid Estevam alerta que é fundamental romper o ciclo de agressões logo no começo. E sempre pedir ajuda à polícia.

“Ele pediu desculpa e ela aceitou a desculpa, passa pra outro estágio, são as agressões mais contra a honra dela, atingir a honra. Começa a proibir de fazer determinadas coisas. Se a mulher perceber esses sinais, ela já deve ter atitude imediata como forma de prevenir que essas agressões perdurem ou se agravem”, informou.

Colheres de Ouro

Médica Paula Veloso criou o movimento ‘Colheres de Ouro’ para denunciar a violência contra a mulher — Foto: Reprodução/TV Globo

A médica Paula Veloso sabe bem como um relacionamento que tinha tudo para ser uma história de amor termina em violência. Os primeiros sinais nem sempre são claros.

“Eu não tinha ideia que um aperto no braço era agressão física, um dedo na cara era agressão física”, disse.

Segundo Paula, atitudes no dia a dia, como xingamentos porque o arroz queimou ou o filho tirou nota baixa são sinais de agressividade e que deixam a mulher cada vez mais humilhada.

Até o dia em que, como ela, chega o espancamento.

“Fui espancada por algumas horas, levei chutes, pontapés, levei socos principalmente no rosto, em todo o corpo, levei cabeçadas, fui levada contra a parede, cabeça contra a parede. Mas o principal foi minha lesão no rosto mesmo, principalmente no olho”, contou.

Atualmente, Paula faz palestras para ajudar outras mulheres. E criou nas redes sociais o movimento “Colheres de Ouro”, que sugere que a sociedade repense o velho ditado “entre marido e mulher não se mete a colher”.

“A gente deve meter a colher sim, porque a mulher que está pedindo socorro ela não está pedindo em vão. Quando eu estava gritando eu me perguntava: ‘não é possível que ninguém está me escutando. Porque a gente escuta o passo do vizinho, o celular vibrando, como é que ninguém está me escutando?’”, afirmou.

“O tiro é o fim da linha. Antes do tiro existem várias coisas. O feminicídio já foi um ‘eu te amo’”, encerrou a médica.

As denúncias de feminicídio podem ser feitas pelo Disque 180, que é a Central de Atendimento à Mulher.

Acesse no site de origem: Mais de 40 mulheres foram vítimas de feminicídio em Minas neste ano (G1, 23/05/2019)