Mais de 40 mulheres são assassinadas nos três primeiros meses do ano no ES (Folha de Vitória – 04/05/2017)

A maioria dos crimes foram cometidos pelos companheiros das vítimas. Em Cariacica, mais de 370 boletins de ocorrência por violência doméstica foram registrados

Em todo o Espírito Santo, 44 mulheres foram mortas de janeiro a março deste ano. De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a maioria dos crimes são cometidos pelos companheiros das vítimas.

Apenas na delegacia de Campo Grande, em Cariacica, já foram registrados 374 boletins de ocorrências por violência doméstica. Mas a delegada afirmou que esse número não reflete as estatísticas do crime, pois muitas mulheres não denunciam.

“Acaba sendo muito relativo, pois não costumamos dizer que é um número grande ou pequeno. Um número grande significa que muitas mulheres estão vindo denunciar, mas quando esse número diminui, nos preocupamos porque entendemos que mais mulheres estão deixando de comparecer a delegacia. Não significa que a violência diminuiu”, explicou a delegada Michele Meira Costa.

A delegada ressaltou ainda que muitas mulheres, depois de denunciarem o companheiro, se arrependem e voltam atrás. “A maioria dessas mulheres que vieram a óbito nunca procuraram a delegacia para fazer um boletim de ocorrência ou então elas compareceram e retiraram a representação criminal, não desejando prosseguir com o procedimento”, afirmou.

Segundo Michele, a melhor forma de se prevenir é denunciando. “Quando acontecer qualquer tipo de violência física, moral, psicológica, que a mulher venha denunciar na delegacia e mantenha essa denúncia e evite o contato com esse agressor. Caso ela tenha filho que necessita do contato do pai, que peça a um parente próximo para fazer essa intermediação para evitar esse contato direto e o conflito”, destacou.

Esquartejada

Um dos crimes cometidos contra uma mulher que chocou os capixabas foi o de Ruthileia Souza, de 22 anos. Ela foi assassinada e esquartejada pelo ex-marido no mês passado. O crime foi presenciado pelo filho do casal de apenas três anos. O suspeito foi preso e confessou ter cometido o crime contra a jovem.

“Está bastante difícil. É bem complicado. Eu não me conformo. A ficha ainda não caiu. Ele já tinha matado, não tinha necessidade de cortar, de ter picado ela. Nem um velório, nem um enterro digno ela teve. Ficamos indignados com isso. Quando eles separavam, ele acabava a levando de volta para casa, pois contava umas mentiras. Assim foi indo durante cinco anos. Ele sempre dizia que ia mudar, não ia mais bater, judiar e ela acabava acreditando. Dessa vez não teve volta”, contou Ednalda Paubel, tia da vítima.

Assim como explicou a delegada, Ruthileia também retirou uma das denúncias que havia registrado contra o acusado. “Que eu me lembre, uma vez ela voltou atrás e na segunda vez, onde nós fomos na delegacia após ele bater nela, ela não quis representar queixa contra ele. Se ela tivesse dado mais ouvido a gente isso poderia ter sido evitado”, disse a tia.

Um dos casos de repercussão nacional foi da modelo Eliza Samudio, morta e esquartejada, segundo as investigações, a mando do goleiro bruno Fernandes. Ele foi condenado a 22 anos de prisão. Bruno, que havia sido solto por habeas corpus, voltou a cadeia na última terça-feira (2), em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

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