Mais de 500 casos de violência contra mulher são registrados em Uberlândia (G1/Triângulo Mineiro – 10/10/2016)

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Delegada da Delegacia da Mulher comenta sobre números. Dia da Luta Contra a Violência à Mulher é comemorado nesta segunda (10)

Cerca 543 casos de violência contra mulheres foram registrados pela Delegacia da Mulher até o começo de outubro deste ano, em Uberlândia. Os dados foram informados ao G1 pela delegada Juliana Santos Machado Acipreste nesta segunda-feira (10), em que se comemora o Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher.

A média do índice nos últimos três anos varia entre 543 a 559. No mesmo período do ano passado, foram registrados 559 casos, já em 2014, 546 casos. Juliana explicou que em alguns crimes, a mulher precisa fazer a representação criminal, o que significa que há a intenção de uma ação penal seja instaurada contra o agressor. “Temos esses número de representações criminais, mas o número de ocorrências registradas é muito maior do que isso”, disse.

Deiviane Mello foi uma das vitimas da violência contra a mulher (Foto: Reprodução/Facebook)

Deiviane Mello foi uma das vitimas da violência contra a mulher (Foto: Reprodução/Facebook)

Desistência das denúncias

Dentro deste número de procedimentos, grande parte são flagrantes de crimes como ameaças, lesão corporal, crime contra a honra, crime contra o patrimônio, violência sexual etc. Juliana contou que geralmente quando as mulheres procuram a delegacia é para denunciar um crime que vem ocorrendo há algum tempo. “Quando ela procura não é a primeira vez que isso aconteceu, é uma situação bem frequente. Elas procuram a delegacia já conhecendo um pouco da lei, quais são os direitos delas. Existe uma conscientização nesse sentido”, disse.

A delegada ressaltou que muitas mulheres acabam desistindo da denúncia por acreditar que o agressor pode mudar. “A mulher vem se informar e muitas vezes não dá continuidade porque acredita que o companheiro vai mudar, vai melhorar, ou porque não quer expor o filho, ou não tem para onde ir. São muitos fatores. A questão de acreditar na promessa de que o companheiro vai mudar é muito frequente”, explicou.

Juliana disse que, após perceber um número grande de mulheres que procuravam a delegacia, mas desistiam depois de ver o que aconteceria com o agressor, uma medida foi adotada. “Naqueles crimes que dependem da vontade da mulher para instaurar algum tipo de procedimento, com exceção dos casos de agressão física e sexual, nós convocamos o agressor. Quando ele chega à delegacia, explicamos para ele a situação e o que pode acontecer de acordo com a lei, caso ele não pare”, disse.

A delegada explicou ainda que, se a situação não melhora, a vítima pode instaurar um procedimento de conciliação e prevenção. “Na maioria dos casos tem dado certo. Pedimos para a mulher voltar e contar como está sendo. O homem vê e fica com medo por causa da lei e deixa de agredir. Mas ele não deve agredir por medo, e sim porque não deve agredir”, complementou.

Atendimento na Delegacia da Mulher

Ainda segundo a delegada, quando a mulher chega na Delegacia, o primeiro atendimento que recebe é o acolhimento psicossocial. No caso de agressões físicas e sexuais, ela passa por exame de corpo delito no Instituto Médio Legal (IML), para que não haja riscos de perder as provas do crime. Em seguida, se a vítima não registrou o Boletim de Ocorrência (BO), ele é feito e, na sequência, o caso é encaminhado para a instauração de inquérito.

Assassinato de mulheres por ex-companheiros

Em relação aos últimos casos de morte de mulheres pelos ex-companheiros registrados nos últimos dias em Uberlândia e Ituiutaba, a delegada explicou que as vítimas não imaginam o que pode acontecer. “O sentimento de posse que o agressor tem em relação à vitima, provoca isso. Quando não tem uma agressão, a mulher releva porque não acredita no que o agressor é capaz”, concluiu.

Lais Vieira
Do G1 Triângulo Mineiro

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