Mais de três mil ocorrências de violência doméstica foram registradas esse semestre em Macapá (A Gazeta – 05/07/2015)

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Vara de Violência Doméstica de Macapá realiza uma média de 20 audiências por dia com famílias em conflito. “Enquanto o homem se achar dono da mulher, essa violência absurda não vai acabar”, afirma juiz titular da Vara.

Mesmo com todo esforço feito pela Delegacia das Mulheres, Promotoria da violência doméstica do Ministério Público e Juizado da Vara da Violência Doméstica, a demanda de crimes de praticados contra a mulher em Macapá tem passado dos números toleráveis. Na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM),  o número de ocorrências tem sido crescente dia a dia. Somente até junho desse ano, foram registrados mais 3.300 Boletins de Ocorrências.

A delegada diz que os esforços são redobrados para responder à demanda: “apesar de termos uma equipe pequena, mas, de muita qualidade, temos nos desdobrado no atendimento as mulheres que nos procuram na delegacia em busca de soluções a suas agressões”.

A ameaça seguida da lesão corporal tem sido os maiores reclames na delegacia, mais de 350 inquéritos instaurados, 116 termos circunstanciados feitos e mais de 700 medidas protetivas  foram solicitados pela delegacia da mulheres neste primeiro semestre.

Audiências

Com uma média de 20 audiências por dia, a equipe da Vara da Violência Doméstica de Macapá, tenta resolver os conflitos das famílias que ali chegam trazendo os problemas que são na sua maioria gerada dentro de casa, muito das vezes com muita violência. Todas as medidas cabíveis são tomadas durante a audiência, que vai da advertência, medidas protetivas e até a prisão quando se faz necessário. Sempre estão presentes as partes, acompanhadas por advogados e a presença de um promotor público.

O juiz Augusto César,  titular da vara, mesmo com toda a experiência vivida, diz estar perplexo com tanta violência: “enquanto o homem se achar dono da mulher, essa violência absurda não vai acabar, por mais que a justiça de alguma forma venha a punir, nunca será o meio de corrigir tamanha excrescência da ignorância do cidadão agressor, a desagregação familiar tem sido muito grande, temos lutado muito, levando informações e palestras a muitas escolas, no intuito de prevenir esses atos, muito das vezes tão brutais, quem ama não bate, não fere, não mata”, disse.

O magistrado disse ainda que a justiça tem sido mais rígida com o advento da Lei Maria da Penha, e as próprias vítimas têm denunciado mais.

“Assim temos tentado dar um apoio maior a essa mulheres tão sofridas, que são subjugadas muita das vezes a permanecerem nesse ambiente hostil a elas, para salvaguardar o alimento, o sustento de filhos e por acreditarem que um dia as coisas podem na sua vida, no seu lar, mudar para melhor”, disse ainda.

Denúncia

Segundo o juiz, as drogas licitas e ilícitas tem de alguma forma contribuído para essas brutalidades dos lares: nunca devemos deixar acostumarmos com tamanha violência, cada um de nós tem que fazer a sua parte, não será somente ações policiais ou mesmo da justiça a trazer a cura, precisamos de uma autoanalise da situação e seguramente também de mais, muito mais, Deus no coração”.  Concluiu, Augusto César.

Na alta sociedade

A violência contra mulher está longe de ser uma realidade só das classes sociais mais baixas ou médias. Em Macapá, um exemplo foi o escândalo envolvendo o ex-presidente da OAB/AP, Ulisses Trasel.

Recentemente, uma decisão da Promotoria de Combate a Violência Domestíca contra a Mulher, representada pela promotora Alessandra Moro de Carvalho, pediu a condenação de Ulisses Trasel.

O processo acusa o advogado de crime de violência doméstica. Desde 2011, Ulisses é citado na imprensa por protagonizar cenas de violência contra a ex-esposa, Patrícia Ferraz.

Em 2011 as ocorrências contra Ulisses Trasel foram registradas na DCCM. O primeiro Boletim de número 150532, de 27 de janeiro, tinha como vítima a odontóloga Patrícia Lima Ferraz. Ela teria comunicado à delegacia, que Ulisses Träsel a agrediu fisicamente e a ameaçou de morte.

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