Mandou nudes e compartilharam na rede? Isso é violência sexual (Pref. São Paulo – 18/05/2016)

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Os aplicativos facilitam a curtição. Porém, o que fazer quando aquela foto que era para apenas uma pessoa visualizar acaba viralizando na internet? Esses casos estão cada vez mais comuns e causam dor e constrangimento. Mas ninguém está só. Saiba o que fazer

Zap vai, zap vem, o papo no celular esquenta e a pessoa na outra ponta do chat pede a clássica: “manda nudes”. Quem nunca?

Afinal, o direito a uma vida sexual saudável é assegurado pelo Estatuto da Juventude, e as novas tecnologias permitem que a gente invente diferentes formas de se curtir.

Mas nem sempre é de boa assim. O compartilhamento de fotos e vídeos íntimos na rede, sem autorização ou até mesmo de adolescentes, está virando rotina e o pior: viraliza rapidamente. O nome disso é violência sexual.

“A internet facilita a exploração e o abuso porque o jovem é curioso, mas não tem maturidade para entender que está correndo risco. Se ilude”, nota a psicóloga Dalka Ferreira, do Instituto Sedes Sapientiae e coordenadora-geral do Centro de Referência de Vítimas de Violência (CNRVV).

Para mobilizar a sociedade brasileira contra a violação dos direitos sexuais de crianças e adolescentes, 18 de maio foi estabelecido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Mas “Todo dia é dia 18”, como lembra a campanha do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – Cedeca Interlagos, que defende o combate à violência sexual o ano inteiro.

Em 2014, foram feitas 24.575 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o Brasil, segundo a Fundação Abrinq. Do total, 19.165 foram de abuso (que geralmente acontece em casa ou círculos de convivência, envolvendo parentes ou amigos da família) e 5.410 de exploração sexual (quando há pagamento em dinheiro, presentes ou favores em troca de sexo).

E, com o uso cada vez mais frequente da internet, essas violências ocorrem numa escala muito maior: afinal, 62% de crianças e jovens entre 9 e 23 anos acessam a rede virtual todos os dias e 60% compartilham fotos pessoais na rede, de acordo com a ONG Safernet. Em nove anos, a organização que luta contra a violação de direitos e crimes cibernéticos recebeu e processou 1,4 milhão de denúncias de pornografia infantil na internet.

Nem um pouco TOP!

Imagina você fazer parte de um ranking que não é nada chavoso!

Pois desde 2015, ativistas do Grajaú e de Parelheiros (Extremo Sul de São Paulo) recebem denúncias de uma prática de cyberbullying bastante conhecida na região: o TOP 10 do WhatsApp, que consiste em fazer montagens de fotos e vídeos íntimos de meninas. Os posts compõem uma “lista das 10 mais vadias da escola”, que circula pelos celulares, viralizam nos grupos, rompem os muros do colégio e chegam às ruas com as pixações.

“E tem uma distorção aí. Quando [a vítima] é adolescente, principalmente quando não é mais virgem, ela é colocada como culpada”, observa Rosilene Matos, assistente social e gerente do Serviço de Proteção à Vítima de Violência (SPVV) do Cedeca Interlagos. “Teve menina que teve que se mudar de escola, de bairro e até tentou suicídio”, completa Rosilene.

Duas meninas do Grajaú chegaram a se suicidar por causa do cyberbullying 10, segundo o coletivo Mulheres na Luta, que realizou um grafitaço contra o TOP (veja na foto em destaque de Mayra Carvalho).

“Isso causa constrangimento e é uma situação difícil do jovem lidar sozinho”, diz Dalka, do Seddis Sapientiae.

Mas ninguém está só. Quem vivenciou ou conhece alguém que foi vítima de violência sexual deve denunciar os casos ligando para o Disque 100, procurando o Conselho Tutelar de sua região ou serviços de proteção como o do Cedeca Interlagos.

Crianças ou adolescentes que se mantêm isolados, com baixa autoestima, amedrontados e agressivos apresentam um comportamento suspeito de quem sofre violência sexual. O Instituto Sedes Sapientiae tem cartilhas que ajudam a identificar casos assim. Veja aqui.

“Nossa campanha é de informação, para orientar de que forma podemos utilizar”, completa Ivone Colontonio, assistente social do SPVV do Cedeca Interlagos. “A tecnologia tá aí e vamos usar de qualquer forma”.

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