Mapa da Violência 2013 aponta que mulheres jovens foram principais vítimas de homicídios

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De 2001 a 2011, o índice de mulheres jovens assassinadas foi superior ao do restante da população feminina. Em 2011, a taxa de homicídios entre mulheres com idades entre 15 e 24 anos foi de 7,1 mortes para cada 100 mil, enquanto a média para as não jovens foi de 4,1. 

projeto_capa1-2O Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (18/07), revela que mulheres com idade entre 15 e 24 anos foram as principais vítimas de homicídio na última década. O estudo, realizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, com o apoio da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (CEBELA), aponta que, de 2001 a 2011, o índice de homicídios de mulheres aumentou 17,2%, com a morte de mais de 48 mil brasileiras nesse período. Só em 2011 mais de 4,5 mil mulheres foram assassinadas no país. Desse total, a taxa de mortes entre as mulheres jovens foi de 7,1 por grupo de 100 mil, enquanto na população não jovem, com idades abaixo de 15 e acima dos 24 anos, o índice foi de 4,1.

Ao longo da década analisada, os homicídios das mulheres mais jovens foram mais frequentes do que no restante da população feminina, com taxas oscilando entre 5,9 e 7,4 mortes. Entre as não jovens, a variação foi entre 3,4 e 4,1. De 2003 a 2005, a taxa de assassinatos de mulheres jovens teve redução, passando de 7,1 para 5,9. Entretanto, desde 2007, o índice tem aumentado a cada ano, tendo seu pico em 2010, quando a taxa chegou a 7,4 mortes.

Em 2011, o Espírito Santo foi o Estado com o maior índice de homicídios femininos entre a população jovem, com taxa de 21,4 mortes para cada 100 mil mulheres, enquanto a média nacional por estado é de 7,1. Vitória lidera o ranking entre as capitais, com uma taxa de 40,9 assassinatos de jovens para cada 100 mil mulheres, quase o dobro da segunda colocada, Maceió, que teve uma média de 23,2 – também muito acima do índice nacional, que foi de 9,3.

Na análise regional, o Sudeste foi a única região que conseguiu diminuir sua taxa total de homicídios de mulheres jovens por 100 mil, passando de 8,9 em 2001 para 6 mortes em 2011. Contribuiu para isso o resultado apresentado por São Paulo, que passou de uma taxa de 10 para 3,6 assassinatos. O Rio de Janeiro também apresentou uma redução significativa, indo de 12,1 para sete homicídios.

O pior resultado regional foi apresentado pelo Nordeste, que passou de 4,3 assassinatos de mulheres jovens em 2001 para uma taxa de 8,2 em 2011. Com exceção do Piauí e Pernambuco, o índice dos Estados da região seguiu uma trajetória de crescimento ao longo da década. Destaque para Alagoas, com a média de 13,3, ocupando o segundo lugar no ranking nacional.

O Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil utilizou como fonte de dados o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e, para os dados internacionais, o Sistema de Informações Estatísticas da Organização Mundial da Saúde (Whosis).

Cerca de 100 mil homicídios de mulheres em três décadas

O estudo também aponta que 96.612 mulheres foram assassinadas no Brasil de 1980 a 2011, quase a metade delas na última década. Embora represente 8% do total dos homicídios cometidos no país no período, a mortalidade feminina apresenta características diferenciadas. De acordo com o registro de atendimento por violências do Sistema Único de Saúde, em 2011 foram atendidas mais de 70 mil mulheres vítimas de violência física. Desse total, 71,8% das agressões foram cometidas em casa, e em 43,4% dos casos o agressor era o parceiro ou ex da vítima, número que chega a 70,6% quando observada apenas a faixa de 30 a 39 anos de idade.

O perfil doméstico dos crimes, com menor uso de armas de fogo, contribuiu para que a Campanha do Desarmamento, realizada em 2004 e 2005, tivesse baixo impacto sobre os índices de assassinatos de mulheres nesse período. A criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) em 2006 coincide com uma queda de 7,6% nas ocorrências de crimes contra as mulheres no ano seguinte. Porém, a partir de 2008, as taxas de homicídios femininos seguiram crescendo.

Ranking nacional

Apesar da ligeira queda no índice de homicídios de mulheres, o Espírito Santo continua a ser o Estado mais violento, com a maior taxa de mortes femininas (9,2 vítimas para cada 100 mil mulheres), seguido por Goiás e Alagoas, ambos com taxa de 8,5 assassinatos. O número é quatro vezes maior do que o do Piauí, Estado com índice de 2,6, o menor no país. No Mapa da Violência de 2012, o Estado já liderava o ranking nacional, com a taxa de 9,6 homicídios. Em 2009, esse mesmo índice chegou a 12,3.

A situação também é alarmante na Bahia e na Paraíba, onde o número de homicídios triplicou nas últimas décadas. Na Bahia, 116 mulheres foram assassinadas em 2001; em 2011, esse número chegou a 444. Já na Paraíba, o número de vítimas passou de 47 mulheres para 143 nesse mesmo período. Os índices também dobraram em Tocantins, Alagoas, Maranhão, Rio Grande do Norte e Goiás.

Clique aqui para acessar o Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil

Por Géssica Brandino
Portal Compromisso e Atitude

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