Maria da Penha: delegacia da mulher de Maceió registra 30 casos por dia (Cada Minuto – 12/04/2016)

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Considerado um problema mundial, a violência doméstica é cada vez mais frequente entre casais. Somente neste domingo (10), em 24 horas, três mulheres foram agredidas por seus companheiros em Maceió. Já na segunda-feira (11), mais dois casos foram registrados. Em situações diferentes, os acusados de agressão foram encaminhados para a Central de Flagrantes e autuados por lesão corporal.

Imagens de um celular de um internauta flagraram um homem identificado como Williams Henrique dos Santos, 31 anos, agredindo sua esposa a socos. A situação aconteceu em um bar conhecido como Espetinho da Maria, que fica localizado no bairro da Serraria, parte de alta da capital.

Segundo o relatório de ocorrências divulgado pelo Centro Integrado de Operações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o agressor foi encaminhado para a Central de Flagrantes. Segundo testemunhas, ele estava sob efeito de bebida alcoólica.

Na tarde de domingo, a Guarnição Motorizada da base do Osman Loureiro, pertencente ao 4º BPM foi acionada para atender uma chamada de violência. No local, o homem chamado de Pedro Erick Nascimento, de 23 anos, agrediu sua esposa. Durante a briga, ele lesionou a mão da sua companheira com uma faca.

No final da noite de domingo, outro caso de violência doméstica foi identificado. Ricardo Mendonça da Silva, de 46 anos, bateu em sua esposa dentro de um estabelecimento conhecido como Rei da Picanha, no bairro da Jatiuca.

Na segunda-feira (11), dois casos foram registrados pela polícia. O autor Márcio Ferreira da Silva, 33 anos, residente do Rio Novo, agrediu a esposa lesionando o braço esquerdo da vítima. No bairro do jacintinho, José Claudio dos Santos, 46 anos, também agrediu sua esposa e foi autuado com base na lei Maria da Penha.

Segundo Zeina Oliveira, chefe de operações da Delegacia Especializada de Atendimento às Mulheres do bairro do Tabuleiro, por dia, elas recebem em média, 25 mulheres que fazem a denúncia. “Tem dias que chega até mais de 30 denunciantes. Nos feriados, o número aumenta por causa do excesso de álcool. Uma parte das denúncias também vem pelo 181″, comentou.

Dados

De acordo com dados da pesquisa Instituto Avon/Ipsos – Percepções sobre a violência doméstica contra a mulher – apenas 63% das mulheres denunciam a agressão.

O mapa da violência de Maceió divulgado em 2015, mostrava que dados de 2003 e 2013, apontava que a taxa de mortes contra a população feminina havia aumentado 92,5% em uma década. Desta maneira, Maceió era conhecida como a segunda capital mais violenta para as mulheres.

Lei Maria da Penha

A lei contra violência doméstica ganhou esse nome quando a bio farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes foi agredida várias vezes pelo marido e ficou paraplégica após levar um tiro do marido. Sendo criada em 2006, a lei tem a finalidade de punir as agressões de forma mais severa. A pena é de 1 a 3 anos de prisão.

Outros tipos de violência

A consequência gerada pela violência doméstica não é apenas física e sim, mental. Após sofrerem agressões, as mulheres podem desenvolver depressão, ansiedades e até traumas sexuais. Na maioria das vezes, o agressor é o marido.

Violência sexual – É considerada violência sexual quando a vítima realiza o ato sob coação ou força física. Sexo forçado, exigência de sexo como pagamento de favores, abuso sexual, negação do direito de usar anticoncepcionais e aborto forçado. Estes são alguns dos exemplos de violência sexual.

Violência Física – Quando o agressor usa força física ou algum tipo de arma, é considerada violência física. Tapas, empurrões, socos, mordidas, chutes, queimaduras são algumas formas de manifestação de violência.

Violência Psicológica – É considerada prejudicial da mesma maneira que a violência física e pode causar danos à autoestima, além do desenvolvimento da mulher. Xingamento, humilhação, desvalorização, chantagem, isolamento e privação da liberdade também são considerados tipos de violência.

Onde denunciar?

Em Maceió, há duas delegacias da mulher. Uma localizada no Tabuleiro dos Martins e outra no Centro da cidade. Em contato com a assessoria da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos (Semudh), a vítima, diante da impossibilidade, pode fazer o Boletim de Ocorrência em qualquer delegacia. Mas é recomendável que ela faça na delegacia especializada da mulher.

Para aquelas que são agredidas e não querem voltar para a casa, na capital há uma casa de acolhimento que não teve o nome divulgado para manter a segurança delas.

Em Arapiraca, também existe um abrigo para estas mulheres. A casas de acolhimento são frutos de uma parceria do Estado de Alagoas com a Prefeitura de Maceió que tem o objetivo de atender ao público-alvo que são mulheres, que tenham formalizado denúncia com base na Lei Maria da Penha e possuam Boletim de Ocorrência.

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