Maria da Penha ministra palestra em Barra do Garças (Mato Grosso News – 10/04/2015)

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Cerca de três mil pessoas participaram de uma palestra com o tema violência doméstica em Barra do Garças, ocorrida no inicio dessa semana. O evento lotou o Ginásio de Esportes, Arnaldo Martins, e encerrou oficialmente as comemorações do Dia Internacional da Mulher.

O evento, promovido pela Rede de Enfrentamento a violência Doméstica contra a Mulher e pela campanha “Violência contra a mulher vamos meter a colher”, teve como destaque palestrante, Maria da Penha Fernandes. Mais, 70 anos, que empresta seu nome a Lei Maria da Penha. Mais de duas toneladas de alimentos não perecíveis foram arrecadadas na ação, eles serão doados para a Instituição Filantrópica “Barra Mama”, de apoio a pacientes com câncer. Maria da Penha foi aplaudida de pé pelos presentes, ela contou sua triste caminhada, das violências psicologias e física que sofreu e falou de sua luta para que seu agressor fosse responsabilizado pelos crimes praticados.

A cearense de Fortaleza, formada em farmácia e com mestrado na área, sempre foi uma mulher instruída e batalhadora. Sua vida mudou radicalmente no dia 29 de maio de 1983, quando, dormindo, levou um tiro do ex­-marido. Depois de quatro meses internada ela deixou o hospital em uma cadeira de rodas. O tiro na coluna a deixou paraplégica.

Depois de sofrer uma segunda tentativa de homicídio, ser mantida em cárcere privado, ela conseguir fugiu de casa com as três filhas pequenas. Escondida na casa de parentes, Maria da Penha começou a lutar para que seu agressor fosse condenado. Depois de esgotar todos os recursos internos (no país) e do crime quase prescrever, o Brasil foi denunciado para a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o país, que até então negligenciava os casos de violência doméstica. Esta discussão colocava o Brasil na berlinda, que, a partir daí, foi obrigado a mudar as leis.

Em 2006, depois de muita luta, a lei que leva o nome de Maria da Penha foi sancionada. O caso só tomou repercussão internacional depois que Maria da Penha, em 1994, lançou um livro intitulado “Sobrevivi, posso contar”, onde narra com detalhes sua história de agressão, sofrimento e luta.

A própria Maria da Penha destaca que apesar de a lei ser conhecida pelos brasileiros, ainda não existe uma conscientização generalizada por parte dos gestores públicos, já que muitos não têm interesse em criar políticas públicas para que a lei saia do papel e seja aplicada na prática.

“Uma pesquisa mostrou que 98% da população brasileira têm conhecimento da Lei Maria da Penha. Esse percentual pode não saber exatamente como a lei funciona, mas sabe que a lei veio para proteger a mulher vítima de violência. No início havia muita dúvida, como toda lei nova, para atender a verdadeira finalidade e fazer ela funcionar. Esta dificuldade hoje depende apenas do querer do gestor público. Se ele não tem interesse de fazer com que a lei seja aplicada, ele não respeita as mulheres do seu município, do seu estado. Ele é um machista, que precisa desconstruir isso dentro dele, para só depois poder ajudar aquelas mulheres que precisam do poder público”.

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