Maria da Penha visita Campo Grande e sugere volta da Delegacia da Mulher 24h (MídiaMax /MS- 28/11/2012)

De maneira poética, o soteropolitano Tião Simpatia diz que ‘a mulher venceu muitos preconceitos e conseguiu os seus direitos na sociedade’. Repetidamente ele fala isso em um ciclo de viagens pelo Brasil, acompanhado de Maria da Penha Fernandes, 67 anos, mulher que foi vítima de agressão física, moral, psicológica e hoje leva em seu nome a Lei Federal 11.340/06.

Para quem escuta a poesia, de um homem acompanhado apenas de um microfone e um violão, acredita apenas estar diante de uma apresentação teatral, que tenta simplificar a população o entendimento da lei. Mas, de acordo com a própria autora, significa muito mais do que isso.

É a sua vida, entregue em detrimento das mulheres, da cobrança por Justiça, principalmente quando esta mulher (Maria da Penha) está hoje em uma cadeira de rodas e aguardou mais de 16 anos para a condenação do seu ex-marido.

“Depois da luta para o meu agressor ser condenado, não podia parar. Quando as pessoas falavam em Maria da Penha, muitos acreditavam que a lei em meu nome seria uma homenagem póstuma a minha pessoa, mas estou muito viva e hoje estou sempre viajando para cobrar a implementação da lei”, afirma Maria da Penha.

Na manhã desta quarta-feira (28), o seu destino foi Campo Grande. Depois da coletiva na governadoria ela segue para Nova Andradina, cidade distante a 300 quilômetros da Capital. “Tive a informação de que a lei está sendo mais bem implementada nas capitais, por isso vou dar uma palestra em um município menor e saber da situação das mulheres”, comenta a feminista.

Desde 2006, Maria da Penha diz que ‘as denúncias contra violência doméstica aumentaram substancialmente e que acredita na mudança do poder público’. “Quero que nossas filhas e netas não passem pelo mesmo problema. Aos 38 anos, em 1983, levei um tiro enquanto estava dormindo e senti muita omissão das autoridades na ocasião. Hoje, mesmo em uma cadeira de rodas, estou feliz e realizada”, garante Maria da Penha.

Delegacia da mulher 24h

Questionada pelo Midiamax sobre a falta de uma delegacia de atendimento específico a mulher, que funcione 24h por dia, Maria da Penha se surpreendeu. “Nossa, não acredito que aqui não tem. O ideal é ter uma delegacia sete dias por semana e 24h. Sabemos que os finais de semana são momentos críticos e é de plantão que os profissionais estão fazendo valer a lei”, avalia Maria da Penha.

Em entrevista, a delegada titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher), Rosely Aparecida Molina, comenta que o número de denúncias aumenta a cada ano. “Em 2004 tivemos 1,5 mil denúncias. Já em 2006 foram quatro mil denúncias e hoje, até o dia 15 de novembro, já contabilizamos 5,1 mil denúncias dos cinco tipos de casos que se referem a lei Maria da Penha”, conclui a delegada Molina.

CPMI da Violência contra a Mulher

Em funcionamento no Congresso Nacional desde fevereiro, a CPMI tem como objetivo investigar a situação da violência contra a mulher no Brasil e apurar denúncias de omissão do poder público. A CPMI é presidida pela deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG), tem em sua relatoria a senadora Ana Rita (PT-ES) e na vice-presidência, a deputada Keiko Ota (PSB-SP).

Em números, Mato Grosso do Sul é o 5º lugar entre os estados do País em assassinatos de mulheres, com taxa de homicídios de seis assassinatos para grupo de 100 mil mulheres, acima da média nacional, que é de 4,4. O primeiro colocado é o estado do Espírito Santo (9,4), o segundo Alagoas (8,3) e o Paraná aparece na terceira colocação (6,3).

Graziela Rezende
(Foto: Graziela Rezende)

Graziela Rezende

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