Maridos são os principais agressores de mulheres na Região Metropolitana de Belém, aponta o Pro Paz (G1 – 11/07/2015)

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Dados são baseados em atendimentos realizados em 2014. A maioria das vítimas são mulheres da faixa de 30 a 41 anos.

Os agressores denunciados por mulheres que sofreram violência são, na sua maioria, ex-maridos, companheiro e ex-companheiro, de acordo com pesquisa do Pro Paz Mulher (PPM), localizado na Região Metropolitana de Belém (RMB). Os dados divulgados nesta seábado (11) são baseados em atendimentos realizados durante 2014.

Os dados da Fundação Pro Paz, reunidos a partir do preenchimento das fichas de acolhimento, feito pelas assistentes sociais do PPM no primeiro atendimento realizado à mulher que sofre algum tipo de violência, apontam que, no período de janeiro a junho deste ano, 32,1% das mulheres que denunciaram seus agressores são jovens de até 29 anos; 40,8% são mulheres da faixa de 30 a 41 anos e 9,9% são mulheres a partir de 54 anos.

Aumento de ocorrências
Se comparado o ano de 2012 ao ano de 2014 é possível notar um aumento de 177% no número de atendimentos, que saltaram de 1.633 em 2012 para 4.518 em 2014. A violência física lidera as ocorrências com 31,9%, seguido da violência psicológica com 26,3% e violência moral com 13,2%. A violência sexual registrou 3,4% dos dados.

Entre os agressores denunciados pelas mulheres no PPM ex-maridos lideram o número com 25,1%, seguidos de marido (23,1%); companheiro (11,3%); ex-companheiro (8,6%); ex-namorado (5,9%) e ex-cunhado (4,9%), seguido de outros agressores, agressores não informados, irmão, filho, vizinho, namorado, descoinhecido, sobrinho, padrasto, pai, amigo, cunhado, marido e cunhado, tio, genro e outros.

Os dados da Fundação mostram que o bairro com maior número de ocorrências recebidas, de julho de 2014 a junho de 2015 foi o Guamá (8,4%), seguido da Pedreira (8,3%), Marco (6.6%), Tapanã (6,5%) e Jurunas (4,9%), seguidos da Marambaia, Sacramenta, Parque Verde, Terra Firme, Telégrafo, Benguí, Val-de-Cans, Cabanagem, Pratinha, Tenoné e outros.

O projeto
O projeto funciona a partir das diretrizes do projeto Pro Paz Integrado (PPI), que atende crianças e adolescentes vítimas de violência, e foi concebido em parceria com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) – por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) – que passou a atender, num único espaço, as demandas das mulheres que têm seus direitos violados na RMB e no interior do Pará.

Para a psicóloga Priscila Taveira, que atua no Pro Paz, a Fundação, juntamente com os órgãos que compõem o Pro Paz Mulher/Deam, o objetivo é atender as mulheres em situação de violência com excelência. “Trabalhamos para prestar um serviço de referência no âmbito da violência doméstica, onde a usuária, independentemente de classe social, se sinta acolhida e receba todo o apoio e cuidado que necessita, encorajando-a a fazer um tratamento sem se sentir julgada e é por este motivo que definimos nosso trabalho como ‘acolhimento’. Ainda temos algumas dificuldades quanto à adesão das vítimas, pois a dor da agressão faz com que as elas, no momento da crise, busquem apenas uma resolução judicial para os seus problemas e acabam esquecendo que precisam ser cuidadas”, explicou.

Priscila Taveira ainda explica que cabe às vítimas a decisão de realizar ou não o boletim de ocorrência. “É uma decisão que cabe somente a essa mulher. Não podemos interferir nisso. Mas, caso ela realize o boletim, é dado o encaminhamento investigativo – por meio da Polícia Civil – ou jurídico, por meio do Núcleo de Atendimento Especializado à Mulher (NAEM), da Defensoria Pública do Pará. Além do mais, o PPM tem buscado formas de empoderar essas mulheres socialmente, buscando abranger todas as suas necessidades, desde documentação, tratamento de saúde, emprego e renda e oficinas de artesanato que as auxiliem a lidar com um momento tão doloroso”, reiterou.

Além da capital paraense, o PPI está presente no interior por meio de cinco núcleos nas regiões do Xingu (Núcleo de Altamira); Guajarina (Núcleo de Paragominas); Do Lago (Núcleo de Tucuruí); Baixo Amazonas (Núcleo de Santarém); Bragantina (Núcleo de Bragança), além de contar com o suporte nas unidades da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), localizadas em todas as regiões paraenses. Ainda este ano, a Fundação Pro Paz estenderá seus serviços a duas novas regiões do Pará – Marajó e Carajás – com a implantação dos núcleos do PPI nas cidades de Breves e Parauapebas.

Serviço
O Pro Paz Mulher fica na Travessa Mauriti, 2394, entre as avenidas Rômulo Maiorana (antiga 25 de setembro) e Duque de Caxias, no bairro do Marco. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, de 7h as 19h, por meio de assistência multidisciplinar de áreas psicossocial, policial, pericial e jurídica. Para garantir pronto-atendimento, o espaço conta com agentes da Polícia Civil para registrar boletins de ocorrência e instaurar inquéritos 24 horas.

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