Ministério da Justiça mantém trabalho de sensibilização de homens agressores (Agência O Globo – 08/03/2013)

Uma outra estratégia no enfrentamento à violência contra a mulher é o trabalho de sensibilização desenvolvido junto a homens agressores. Está previsto no artigo 35 da Lei Maria da Penha que a União, os estados e os municípios podem criar centros de reeducação com essa finalidade. Por isso foi inaugurado há mais de um ano, na capital cearense, o Núcleo de Atendimento ao Homem Autor de Violência contra a Mulher (Nuah). Vinculado à Justiça estadual, o projeto é mantido através de um convênio com o Ministério da Justiça.

– Nós propomos uma reflexão para que os homens procurem desnaturalizar a violência contra a mulher. O interessante é observar que, aos poucos, eles vão se tornando multiplicadores da Lei Maria da Penha em suas próprias comunidades, repassando isso aos amigos. Os resultados têm sido bastante satisfatórios – considera a coordenadora do Nuah, Tatiane Carneiro de Castro.

A equipe conta com assistentes sociais, psicólogos, advogados e pedagogos. O trabalho é voltado principalmente para homens que estão em liberdade provisória e até agora atendeu 176 pessoas. Além disso, semanalmente também são feitas visitas aos presídios para acompanhar 85 detentos que foram condenados com base na Lei Nº 11.340. O contador Sílvio Rocha é um dos ex-participantes do projeto:

– Foi uma experiência importante porque fez com que eu analisasse o ato que cometi. Às vezes as mulheres aceitam a agressão por causa da dependência econômica em relação ao marido, mas esse comportamento não é normal. E não é verdade que mulher gosta de apanhar – diz.

Existem atualmente no Brasil outros núcleos mantidos pelo Ministério da Justiça. A iniciativa está presente nos estados de Alagoas, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Pará, Rio de Janeiro, Acre, Paraná e no Distrito Federal. Em média, são repassados R$ 500 mil para cada núcleo através das Secretarias de Administração Penitenciária.

Para o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), o trabalho tem a sua relevância.

– Nós entendemos que a prioridade na rede de atendimento deve ser da mulher, que é a vítima. Mas é claro que no trabalho educativo que defendemos junto à sociedade não queremos excluir ninguém. Os homens precisam fazer parte disso – avalia Schuma Schumaher, conselheira do CNDM.

Por Cristiane Sampaio, especial para O GLOBO 

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