Ministério Público pede aumento de pena para Mizael Bispo em 4 anos (G1 – 16/04/2013)

Mizael é condenado a 20 anos pela morte de Mércia Nakashima (Foto: Rede Globo)O Promotor de Justiça, Rodrigo Merli, apresentou na segunda-feira (15) recurso na Justiça de Guarulhos, na Grande São Paulo, pedindo o aumento da pena do ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza, condenado por homicídio triplamente qualificado pelo assassinato da ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima, na represa de Nazaré Paulista em 2010. No dia 14 de março, Mizael foi condenado a 20 anos de pena e começou a pagar em regime fechado.

Rodrigo Merli defende que a pena ideal é de 24 anos e seis meses de reclusão e que algumas decisões subjetivas do juiz Leandro Cano devem ser revistas. O promotor afirma, por exemplo, que o juiz poderia ter considerado que Mizael tem sim maus antecedentes, “já se envolveu em outros episódios policiais, inclusive por agressões e ameaças contra mulheres”. Merli cita ainda a conduta social reprovável, já que Mizael se dedicava à atividade ilícita de segurança particular armada.

Ele pede ainda que o juiz leve em conta a dissimulação, já que Mizael levou Mércia até a represa de Nazaré Paulista como se fosse um encontro normal.

O promotor argumentou que decidiu pedir o aumento da pena após uma “análise técnica e bastante detalhada”. Logo após o julgamento, Merli afirmou que considerava a pena de 20 anos “dentro do esperado”.

O advogado da família de Mércia, Alexandre de Sá Domingues, afirmou que concorda com o pedido do promotor Rodrigo Merli e que também assina o pedido. Após a condenação de Mizael, Márcio Nakashima, irmão de Mércia, afirmou estar decepcionado com a pena e que esperava uma punição “exemplar”.

O caso

Mércia Nakashima desapareceu em 23 de maio de 2010 depois de ter saído da casa de familiares, em Guarulhos. Seu corpo foi encontrado em Nazaré Paulista no dia 11 de junho, um dia depois de seu carro ter sido localizado submerso ali pelos bombeiros.

O julgamento aconteceu três anos depois. Mizael negou no tribunal do júri que tenha matado a ex-namorada. O réu mostrou a mão direita, onde não tem um dos dedos, afirmando que não consegue atirar com essa mão. Mizael é destro. O policial reformado usou a palavra “Deus” diversas vezes e afirmou que não tem “coragem de tirar a vida de nenhum ser humano”. Suas duas armas estavam regularizadas, relatou, e tinham até “casa de aranha dentro” pela falta de uso.

Sobre o fato de ter ficado foragido, o policial reformado disse que é atitude normal de um inocente. “Quem deve tem que pagar. Quem não deve tem que se rebelar”, afirma. “Estou sofrendo tanto com isso. Três anos. Melhor a morte do que ficar preso”, afirmou.

Mizael afirmou que foi vítima de uma armação da polícia, que “queria um culpado” e disse ainda que tinha um relacionamento normal com Mércia.

Além de Mizael, o julgamento teve o depoimento de testemunhas. O delegado Antonio Assunção de Olim, responsável por investigar o caso pelo Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou não ter “dúvida nenhuma de que o Mizael matou a Mércia”.

Durante mais de cinco horas, o delegado falou sobre o percurso feito pelo réu no dia da morte de Mércia, com base no rastreador instalado no veículo. Segundo Olim, Mizael desconhecia o fato de seu veículo possuir um rastreador que foi instalado pela seguradora a pedido de Mércia. O delegado falou também sobre ligações telefônicas feitas por Mizael e que, segundo o registro das antenas de telefonia, mostram que o réu esteve em Nazaré Paulista.

Segundo o Tribunal de Justiça, o julgamento de Mizael foi o primeiro do país transmitido ao vivo. Pelo vídeo foi possível acompanhar não só os depoimentos como as brigas quase que diárias entre acusação e defesa, que já chegaram a chamar a outra parte de ‘mentirosa’.

O vigia Evandro Bezerra Silva, que também é réu do caso, acusado de ajudar Mizael, só será levado a julgamento no dia 29 de julho.

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