MPE pede a internação de suspeitos de estupro coletivo em ônibus escolar (G1 – 31/08/2015)

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Meninas de sete e cinco anos foram vítimas, segundo a Polícia Civil. Quatro menores teriam participado do crime e um deles ainda teria filmado.

O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia contra os quatro adolescentes suspeitos de praticarem o estupro coletivo de duas crianças, de cinco e sete anos, em Formoso do Araguaia, sul do Tocantins. A representação foi feita no último sábado (29) e pede a internação provisória dos suspeitos. Os jovens têm entre 14 e 16 anos. O órgão solicitou ainda que a Polícia Civil investigue a conduta do motorista que dirigia o ônibus escolar no momento em que o estupro teria acontecido.

Os abusos contra as crianças aconteceram no fundo do veículo, durante o trajeto entre o assentamento Pirarucu e a escola, que fica dentro da cidade.

Os quatro adolescentes foram autuados, sendo três por praticarem os estupros e o outro por gravar as ações em um celular. Os aparelhos dos jovens foram periciados pela polícia e as imagens recuperadas.

Segundo o MPE, o processo vai correr em segredo de Justiça pela natureza do crime sexual e por envolver crianças e adolescentes. Segundo a ação, baseada no inquérito feito pela Polícia Civil, três adolescentes praticaram o estupro, enquanto o quarto incentivava o grupo e registrava o ato em um celular.

A delegada Áurea Batista, responsável pelas investigações, disse que ainda aguarda despacho do juiz responsável para “proceder com a internação dos menores”.

Ameaça

Em entrevista ao G1 na última sexta-feira (28), o tio de uma das vítimas, que pediu para não ter o nome revelado, disse que uma ameaça foi feita à mãe da menina de cinco anos. “Eles disseram que não tinham medo da polícia e nem de ninguém e que era para [os parentes] ficarem calados”, contou ele.

“A mãe deles disse para o conselho tutelar que ninguém dava jeito neles”, contou. O homem revelou também que todos os adolescentes vivem no mesmo assentamento que as famílias das vítimas moravam.

O Conselho Tutelar de Formoso do Araguaia disse que conversou com os adolescentes e com os parentes deles, mas que toda a investigação está sendo feita pela polícia e MPE. “Em momento algum eles assumiram os abusos. Hoje eu fiquei sabendo através de testemunhas que eles estão abalados e dizendo que podem pagar por algo que não fizeram”, disse o conselheiro tutelar Sanderson Bezerra da Silva. Segundo ele, os adolescentes não estão frequentando a escola e serão visitados novamente.

Sobre as ameaças supostamente sofridas pela mãe da menina de cinco anos, o conselheiro disse que a mulher realmente denunciou o caso. Silva também afirmou que manteve contato com o motorista do ônibus. “Ele disse que não viu nada, mas que está sempre colaborando com as investigações.”

Motorista

A investigação sobre a conduta do motorista, que dirigia o ônibus escolar no momento dos abusos, já havia sido solicitada pela polícia ao MPE. Agora, com o pedido formal do órgão, o inquérito deve ser aberto nesta terça-feira (1°), segundo a delegada Áurea Batista. “Ele estava conduzindo um ônibus escolar e o motorista tem que ter esse cuidado de ver o que acontece, afinal são crianças e adolescentes”, afirmou a delegada na última semana.

Em entrevista à TV Anhanguera (veja o vídeo), o diretor de Transporte de Formoso do Araguaia, Eldon Feitosa, disse que o servidor foi afastado. “Após receber essa informação [do estupro], a secretaria tratou logo de trocar o condutor, mesmo sem saber se ele tem culpa ou não. Também colocamos mais uma pessoa dentro do ônibus para cuidar desses adolescentes”, disse. O motorista não foi localizado para comentar o caso.

Patrício Reis

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