“Muitas vítimas têm a liberdade cerceada para continuarem vivas”, afirma Jozirlethe Criveletto, titular da DEAM de Cuiabá

Titular da Delegacia da Mulher fala sobre perfil dos agressores e os avanços da Lei Maria da Penha

À frente da Delegacia da Mulher de Cuiabá, a delegada Jozirlethe Criveletto atende inúmeras vítimas de violência doméstica todos os dias.

A delegada é uma defensora da Lei Maria da Penha, mas afirma que por causa da morosidade da legislação e da falta de uma estrutura na rede de proteção, muitas vezes a mulher tem medo de denunciar seu companheiro.

“Não tem como uma vítima denunciar e ver no mesmo dia o autor sendo punido. Ela vai ter toda uma peregrinação, vai passar por toda uma etapa, muitas vezes com esse autor em liberdade”, diz a delegada. “Muitas vezes, ela se vê na situação de ter a liberdade cerceada para que consiga continuar viva”.

Jozirlethe refuta a ideia de que o álcool e as drogas sejam os motivadores da violência. Para ela, o agressor em geral tem a cultura machista e usa o álcool e as drogas para criar coragem na hora de cometer a agressão.

“Na verdade, o autor pode escolher não agredir. E ele muitas vezes usa a droga justamente para fazer o que quer, como justificativa”, afirma a delegada. “E, muitas vezes, a vítima acredita que a culpa é do álcool e da droga, e não do companheiro, do que ele pensa e do que ele traz consigo em relação à figura dela”.

Jozirlethe conversou com o MidiaNews nesta semana e explicou como é o trabalho da Delegacia. Entre outros temas, falou da dependência financeira das agredidas, da legislação penal e discorreu sobre a teoria que poderia explicar o maior número de ocorrências contra as mulheres às quartas-feiras e domingos.

Confira a entrevista na íntegra, em texto e vídeos, acessando o portal Mídia News

Acesse no site de origem: “Muitas vítimas têm a liberdade cerceada para continuarem vivas” (Mídia News – 03/11/2018)