Mulher que teve olhos perfurados por ex-marido fala sobre violência (G1/Tocantins – 12/03/2014)

Ela sofreu agressões em Goiânia, em agosto do ano passado. Vítimas de violência relataram histórias em um evento em Araguaína

Mara Rúbia participou de um evento voltado às mulheres, em Araguaína (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Mara Rúbia participou de um evento voltado às mulheres, em Araguaína (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Duas histórias de violência contra a mulher que chocaram o Brasil foram contadas em um evento em Araguaína, norte do Tocantins. Um dos depoimentos que emocionou centenas de mulheres na plateia, foi o da operadora de caixa Mara Rúbia Guimarães, de 27 anos. Ela ficou cega de um olho depois de ter os dois olhos perfurados pelo ex-marido. O caso aconteceu em agosto do ano passado, em Goiânia. “Sem sombra de dúvida a maior vítima de violência que eu já vi em 30 anos de advogada, é a Mara Rúbia”, disse a advogada dela Darlene Liberato.

No evento, Mara Rúbia falou pouco. A advogada dela foi quem relatou à história no evento realizado pela Vara de Defesa da Mulher. O agressor deve ir a júri popular no dia 19 deste mês. “Nós estamos certas de que ele vai ser condenado e que vai pegar a pena máxima para que fatos como este não ocorram mais e não fiquem impune”, disse Darlene.

Operadora de caixa Mara Rúbia Guimarães teve os olhos perfurados pelo ex-marido, em Goiânia, Goiás (Foto: Arquivo pessoal)

Operadora de caixa Mara Rúbia Guimarães teve os olhos perfurados pelo ex-marido, em Goiânia, Goiás (Foto: Arquivo pessoal)

Mara Rúbia economizou nas palavras, mas disse o que muitas mulheres vítimas de violência precisam ouvir. “Denuncie! Não é fácil, é difícil demais, mas denuncie, se apegue em Deus e tente. E que a justiça faça também o papel dela para que mulheres não morram e crianças não sofram mais”.

O público também conheceu a história da fisioterapeuta Cristina Lopes Afonso. Ela teve 80% do corpo queimado pelo namorado. O caso aconteceu em 1986, em Curitiba. O agressor foi preso e está solto após cumprir 7 anos de prisão. Mas, os sinais da vilência permanecem no corpo e na memória de Cristina.

“Quem já queimou uma pontinha de dedo sabe o transtorno, como você fica alterada com a dor. Mas a dor emocional é muito maior, você saber que foi agredida e violentada no que é mais precioso, que é a vida humana. A partir de muita terapia e conversa eu consegui resolver isso dentro de mim e hoje eu trabalho na prevenção e combate de violência contra todas as mulheres”, diz Cristina.

Cristina Lopes Afonso teve 80% do corpo queimado pelo namorado, em 1986 (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Cristina Lopes Afonso teve 80% do corpo queimado pelo namorado, em 1986 (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Segundo dados do juizado da mulher, o Tocantins ocupa o sétimo lugar no ranking nacional dos estados que apresentam maior índice de violência contra a mulher. Mas, diferentemente dos outros lugares, no estado ainda são poucos os mecanismos de defesa para a mulher que cria coragem de denunciar uma agressão. “Em Araguaína nós não temos a casa de acolhimento das mulheres vítimas de violência doméstica, da mesma forma nós não temos um local para internar os agressores que são alcoólatras ou viciados em droga”, alega a juíza Cirlene Maria de Jesus.

Araguaína está entre as cidades do Tocantins, onde há maior registro de violência contra a mulher. No município, duas ocorrências são registradas por dia.

Acesse no site de origem: Mulher que teve olhos perfurados por ex-marido fala sobre violência (G1/Tocantins – 12/03/2014)