Mulher rompe ciclo de violência (TJPA – 16/03/2016)

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Vítima diz que esperar que agressor mude é pior

Depois de 22 anos de um casamento marcado por agressões físicas e psicológicas, uma professora – ela não quis se identificar porque o processo judicial ainda não foi concluído – conseguiu romper o silêncio e, consequentemente, o ciclo da violência de gênero a que era submetida. Seu testemunho foi apresentado nesta quarta-feira, 16, durante o encerramento da campanha “Justiça pela Paz em Casa, Nossa Justa Causa”, que envolve o Judiciário de todo o Brasil no sentido de agilizar julgamentos e audiências sobre casos de violência contra mulheres.

Mãe de dois filhos, a professora de artesanato, 56 anos, contou que os primeiros sinais de violência começaram ainda na gravidez. “Eu estava grávida do meu primeiro filho, ele me chamou de vagabunda e daí não parou mais”, disse.

A professora contou que, quando os filhos eram pequenos, ela fez a primeira denúncia, mas voltou atrás na esperança de que o ex-marido mudasse para que as crianças fossem criadas junto do pai. “É pior esperar a pessoa mudar, porque ela não muda. Me sacrifiquei pelos meus filhos”, lamenta.

Ela decidiu denunciar quando o ex-companheiro lhe bateu e xingou a ponto de o filho ter que intervir. “Quando ele saiu de casa sofri pela dificuldade econômica, porque não trabalho, mas hoje eu tenho paz, durmo a noite toda tranquila e dou aula de bordado para mulheres do Propaz que estão na mesma situação que um dia eu estive”, relatou. Ela nunca trabalhou nem estudou porque era proibida pelo ex-marido. Hoje, participa de um grupo terapêutico do Propaz ajudando outras mulheres em situação de violência e sonha em fazer uma faculdade e ter um emprego.

Feminicídio – Após o depoimento, a promotora de justiça Lucinery Ferreira ministrou a palestra “Feminicídio: Aspectos Teóricos e Práticos”. Durante os debates, Lucinery ressaltou que a Lei do Feminicídio representa não só uma nova nomenclatura ao homicídio de mulheres, mas um olhar diferenciado para tratar a violência de gênero. “Não basta só levar a júri o homem que matou, temos que entender a história dessa violência que muitas vezes é cultural, por isso a ONU Mulher criou diretrizes para se investigar, processar e julgar sob a perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres”, explicou a promotora.

De acordo com a juíza auxiliar da Coordenadoria da Mulher do TJPA, Mônica Marciel, as mulheres em situação de violência doméstica devem procurar o Centro Especializado de Atendimento à Mulher, onde estão todos os parceiros: Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Delegacia Especializada da Mulher (DEAM), Propaz Mulher. Segundo a magistrada, esses órgãos darão o acolhimento imediato à mulher, com aplicação imediata da medida protetiva pelo juiz.

Centro Especializado de Atendimento à Mulher

Texto: Nara Pessoa

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