Mulheres criam grupos e aplicativos para se proteger contra assédios (Folha PE – 19/08/2016)

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Medo da violência sexual é uma realidade: foram 1.146 casos em Pernambuco apenas esse ano

O temor da violência sexual é uma realidade no País. Em Pernambuco, houve 1.146 casos de estupro só entre os meses de janeiro a julho deste ano. O número é menor apenas por três ocorrências registradas no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 1.149. Segundo a Secretaria Estadual da Mulher (SecMulher), nos 12 meses de 2015, foram acumulados 1.924 casos, sendo 1.169 de crianças e adolescentes, e 755 de estupros em geral. O sequestro seguido de abuso sexual sofrido por uma estudante de medicina de 29 anos, no bairro do Parnamirim, na Zona Norte do Recife, na última terça-feira (16), levantou a questão para a vulnerabilidade das mulheres, seja ela na rua, no trabalho ou em casa. Diante disso, a comunicação e o desejo de união entre o gênero vêm alimentando a luta pelo combate a violência sexual. Grupos de segurança virtuais criados em redes sociais e aplicativos constroem uma verdadeira corrente de prevenção àqueles que desejam machucar uma flor.

É o caso do grupo no WhatsApp denominado de “nós por elas”, composto por 17 universitárias e duas professoras. Elas trocam informações que ajudam a prevenir abusos e situações de risco. A comunidade foi criada em março para debates de estudantes de uma faculdade particular do Recife em que um dos professores foi denunciado pela ex-companheira de agressão física. “No grupo, debatíamos o caso em si. Mas, com o passar do tempo, o canal serviu para compartilharmos informações de locais esquisitos e de homens que já assediaram as componentes do grupo”, explica a estudante Heloíza Bezerra de Melo, 23.

Já a consultora organizacional Juliana de Sousa Ferreira, 31, diz que adotou precauções para prevenir assédio e abuso. “Quando chego a um lugar, observo toda a movimentação. Além disso, quando entro no carro, travo imediatamente todas as portas”, afirma. No grupo de que ela participa, com nome inusitado – “as brahmeiras” -, as amigas trocam até mesmo informações que seriam, em tese, privadas. “Se vamos sair com um paquera, compartilhamos o local, horário ou até o telefone do rapaz para que todas estejam informadas. É uma interação para cada uma proteger a outra”, diz.

Além dos grupos independentes, uma parceria entre a Secretaria da Mulher e um grupo de universitários pernambucanos e paraibanos prevê a implantação de um protótipo de aplicativo que auxilia o rastreio e combate do assédio e violência sexual contra mulheres nos ônibus do sistema de transporte público. Denominado de “Eva”, o dispositivo mapeia os principais casos dentro do modal, identificando as linhas de ônibus que têm maior índice de ocorrências. Será possível registrar horário, trecho e ainda registros fotográficos dos abusadores. Estado e o grupo de estudantes já se reuniram para traçar o convênio, porém, o projeto ainda está em fase de análise.

Investigação
Até o fechamento desta edição, a estudante de medicina estuprada por um homem armado com uma faca ainda não havia prestado depoimento à delegada Ana Elisa Sobreira. A ouvida dela é considerada peça-chave para a confecção do retrato-falado do suspeito, ainda não identificado. Familiares da vítima foram ouvidos na tarde de ontem. O porteiro de um prédio próximo ao local em que a universitária foi raptada também prestará depoimento. Testemunhas oculares ainda não foram identificadas.

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