Mulheres do campo recebem atendimento móvel e relatam violência doméstica (Canal Rural – 08/09/2016)

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Casos de violência são considerados comuns em comunidades onde as mulheres estão distantes da proteção do estado

Unidades móveis que atendem mulheres vítimas de violência em comunidades rurais têm incentivado as denúncias no campo. O projeto do Governo Federal, em parceria com governos estaduais, tenta reduzir os efeitos da violência doméstica nessas localidades.

A realidade da violência sempre esteve presente na vida da assentada rural Andreia Almeida, de Sobradinho (DF), que nasceu, cresceu e, hoje, cria a filha em assentamento. A militante da reforma agrária lutou toda a vida para evitar que as situações de violência doméstica se repitam.

“Quando eu era menina, minha mãe era agredida pelo meu pai e, quando nós nos aproximávamos, ele fazia violência psicológica com base em ameaças. Virei uma militante de direito humanos e levava orientação jurídica para mulheres”, disse.

Aparecida Nóbrega, que também moram em um acampamento rural no Distrito Federal, contou ao Canal Rural sobre o episódio de sua vida em que temeu ser morta pelo pelo ex-marido. “Ele jogou muito álcool em cima de mim e tentou riscar fósforo, mas estava bêbado e não conseguiu. Minha filha arrombou a porta e me tirou de lá”, lembra, prometendo que vai denunciar seu agressor.

Os casos citados acima não são raridade no campo, onde as mulheres estão distantes da proteção do estado e têm medo de denunciar. O projeto tenta agir nesse sentido e levar unidades móveis para perto das vítimas. “Você vê um número maior de mulheres no campo, trabalhando, plantando, mas, muitas vezes, essa mulher planta, colhe, vende e o valor é dado para o homem administrar. Então, ainda há uma grande submissão dessa mulher ao homem que, muitas vezes, não é o provedor”, disse a subsecretária de Política para Mulheres do Distrito Federal, Lúcia Bessa.

Para a assistente social Eloísa Varela, que atua no atendimento a mulheres do campo, essa aproximação acaba gerando um sentimento de confiança nas vítimas que podem, enfim, denunciar seus agressores. “A gente percebe nos atendimentos que as mulheres ficam mais seguras, porque, além dos equipamentos do poder executivo, o sistema de Justiça promove uma maior capacitação que dá apoio pra mulher”, disse.

Apesar dos avanços positivos, a secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alessandra Luna, acredita que esse tipo de projeto está ameaçado. “É preocupante, pois a gente tem visto um retrocesso nessas políticas com a extinção da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), um processo até agora totalmente desestruturado. Isso mostra pra gente um desafio no sentido de possibilidade de
retrocesso com estados e municípios, que já não eram fáceis”, alertou, lembrando que políticas como a Delegacia da Mulher, a Casa da Mulher Brasileira e casas abrigos ainda não chegam a 10% dos municípios brasileiros.

Para ter acesso às unidades móveis de atendimento, procure a secretaria do seu estado que trata de políticas para mulheres. As denúncias podem ser feitas gratuitamente, em todo o país, pelo telefone 180.

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