Mulheres que foram estupradas vivem situações constrangedoras após crime (Correio Braziliense – 31/05/2016)

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Segundo especialista, esse é um dos motivos da subnotificação dos casos

O recente caso de uma jovem de 16 anos estuprada no Rio de Janeiro por uma quantidade ainda desconhecida de homens — suspeita-se de 33 — reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher na sociedade brasileira. Especialistas afirmam que a formação machista da população, a falta de educação e o despreparo dos agentes públicos fazem com que a mulher violentada sofra abusos em todas as etapas do processo, além do ato em si — a chamada revitimização.

De acordo com a doutora em direito pela Universidade de Brasília (UnB) Soraia Mendes, a revitimização é um dos motivos de os casos de estupro serem subnotificados. Em 2014, foram 47.646 ocorrências em todo o Brasil, porém, acredita-se que isso represente apenas 35% dos episódios. A especialista afirma que, muitas vezes, a vítima prefere se calar a enfrentar todas as etapas que vêm após a denúncia, especialmente o julgamento social. “A sociedade julga a mulher pra saber se ela é merecedora da credibilidade. Para checar se vão acreditar na história que ela contou ou não.”

A professora e especialista em estudos femininos Tânia Navarro Swain explica que a cultura do estupro ainda é muito presente no Brasil porque ele vem de uma formação patriarcal, na qual o homem é criado como superior e a mulher, como propriedade. “Por causa dessa formação machista, há uma conivência entre os homens quando se trata dessa questão. Porque a mulher ainda é tratada com um objeto de uso. Enquanto não houver um sistema de educação que ensine ao homem desde pequeno que a mulher não existe para servi-lo, isso não tem como mudar”, comenta Tânia.

Agora, na visão dos especialistas, é continuar a mobilização e não deixar que essa história seja esquecida, como tantas outras que causam comoção social, mas caem no esquecimento. Para eles, é fundamental que a questão de gênero seja discutida em todas as esferas, desde o ensino infantil até o Congresso Nacional. “A mulher não precisa ser ensinada sobre se defender dos homens. O homens precisam aprender sobre consentimento e autonomia”, defende Soraia Mendes.

Natália Lambert
Colaborou Leonardo Fernandes

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