‘Não é só coisa de mulher’, diz Maria da Penha sobre luta contra violência

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(G1/Rio Grande do Sul – 10/03/2016) Ativista de 71 anos está em Porto Alegre em evento do Dia da Mulher. Farmacêutica cearense foi vítima de agressões do marido e milita pela causa

Em visita a Porto Alegre para participar de uma série de atividades programação municipal em alusão ao Dia Internacional da Mulher, a farmacêutica cearense Maria da Penha, uma das principais ativistas na luta contra a violência doméstica, fez um balanço dos avanços em relação à proteção dos direitos das mulheres. A Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher – que leva o seu nome – completa dez anos de criação em 2016.

Clique aqui para assistir à reportagem

Maria da Penha participa de atividades em alusão ao Dia Internacional da Mulher em Porto Alegre (Foto: Luciano Lanes/PMPA)

Maria da Penha participa de atividades em alusão ao Dia Internacional da Mulher em Porto Alegre (Foto: Luciano Lanes/PMPA)

“Não é só coisa de mulher. É coisa de família. Quem convive com a violência dentro de casa não tem uma família. A história de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher já acabou”, defendeu Maria da Penha.

Aos 71 anos, a cearense foi vítima de uma série de agressões do marido na década de 1980. Ela sofreu duas tentativas de homicídio e ficou paraplégica depois de ser baleada por ele. O mesmo homem era pai de suas três filhas.

Leia também: Maria da Penha: “Comecei a lutar por Justiça, mas agora ela está nas mãos do povo” (Justiça em Foco – 13/03/2016)

Logo, Maria da Penha começou a atuar em movimentos sociais contra violência e impunidade. Hoje ela é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV) no Ceará.

A dor foi transformada em uma das leis mais conhecidas do Brasil, que aumentou a punição contra autores de violência doméstica. A norma passou a vigorar em 2006, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A principal finalidade da Lei Maria da Penha não é punir os homens, mas proteger as mulheres e punir os homens agressores. Que são aqueles homens que não sabem tratar suas mulheres como pessoa humana. Então, por isso que nós temos, homens e mulheres, unidos nessa luta. Porque nós, unidos, estamos pensando em evitar um futuro com violência para nossos filhos, nossos netos, nossos descendentes”, analisou ela.

Maria da Penha acredita que a violência pode ser enfrentada com o cumprimento da lei, com o apoio dos gestores públicos no fortalecimento de políticas públicas e em investimentos na educação para a conscientização da sociedade. Ela destacou a importância de denunciar e ressaltou que o número 180 recebe ligações e denúncias 24 horas por dia.

“Mesmo que na sua cidade não tenha os equipamentos que os gestores públicos têm a obrigação de criar para que a lei funcione, ligue para o 180, que é o telefone da Secretaria de Polícia para as Mulheres, em Brasília. É um telefone gratuito que funciona 24h, todos os dias da semana. Para ter uma orientação, onde essa mulher pode buscar ajuda, aonde ela deve se dirigir”, ponderou.

Maria da Penha ficará na capital por três dias participando de várias atividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher. A programação completa está no site da prefeitura (clique aqui para acessar).

Acesse no site de origem: ‘Não é só coisa de mulher’, diz Maria da Penha sobre luta contra violência (G1/Rio Grande do Sul – 10/03/2016)