‘Não faz isso, por favor’, foram as últimas palavras de jovem morta pelo namorado no Piauí (G1 – 24/06/2017)

A jovem foi atingida por quatro disparos e morreu ainda no carro do namorado, o tenente do Exército José Ricardo da Silva Neto.

Foi com muita saudade, dor e desejo por justiça que a irmã de Iarla Lima, a jovem assassinada pelo namorado na última segunda -feira (19) em Teresina, falou com exclusividade ao G1. Ilana Lima contou em detalhes os últimos momentos da irmã com vida.

“Foi tudo muito rápido, ela nunca imaginava passar por aquilo. Tanto que ela se assustou quando ele apontou a arma para ela e pediu, ‘Não faz isso, por favor. Não faz isso Silva Neto”, contou a irmã.

A estudante de farmácia explica que naquele dia foi convidada pela irmã para sair com ela e o namorado. Por vezes tentou desistir, mas achou melhor acompanhá-los, afinal ela era companheira em tudo que Iarla fazia.

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“Sempre fomos muito unidas, eu não estava afim de sair, mas decidir ir. O namorado dela nos buscou em casa e fomos à festa. Lá encontramos com dois amigos dele. Todos nós dançamos, inclusive eu e minha prima dançamos com eles três, assim como a Iarla, afinal eram todos amigos. Se em algum momento ele sentiu ciúmes, não demonstrou. A noite toda ele tratou ela com carinho”, disse.

A irmã de Iarla conta ainda que em dado momento, Silva Neto falou que queria ir embora porque estava passando mal. “A Iarla se preocupava muito com todo mundo. Ela gostava muito dele e por isso assim que ele falou que estava passando mal, ela começou a cuidar dele e se organizar para ir embora. Entramos na fila para pagar a conta e a todo momento eles estavam abraçados”, relatou.

As irmãs moravam juntas na cidade de Timon. (Foto: Ilana Lima/ Arquivo Pessoal)

As irmãs moravam juntas na cidade de Timon. (Foto: Ilana Lima/Arquivo Pessoal)

Ilana conta que o casal se beijou antes de pagar a conta e saíram de mãos dadas para o carro. Sempre preocupada, a jovem lembra que a irmã ia questionando como o namorado estava se sentindo.

“Ela perguntou como ele estava, se queria vomitar ou tomar uma água, entramos todos no carro e o questionamos se ele precisava de alguma coisa, mas ele não nos respondeu. Assim que fechou a porta ele alterou o tom de voz e perguntou, ‘Iarla, tu acha que eu sou criança? Pensa que eu não vi tu dançando com todo mundo da festa?’, não deu tempo dela responder nada. Eu não vi a arma, mas vi quando ela olhou assustada para ele pedindo que não fizesse aquilo”, lembra emocionada.

Após os primeiros disparos, Ilana conta que olhou para a irmã, já imóvel no banco do passageiro do carro. Foi neste momento que o tenente teria direcionado os tiros para as outras duas passageiras. “Quando ele atirou na gente, saí do carro correndo e pedindo socorro. Ele deu a ré e arrancou com o carro levando minha irmã com ele. Foi tudo muito rápido, nem senti que havia sido ferida. Só gritava para que achassem a Iarla”, contou.

Um casal que estava saindo do mesmo estabelecimento teria ajudado Ilana e a tia a irem ao hospital, assim como a contatar a família e a polícia. A jovem conta que só conseguia pensar na irmã e que pedia para que todos a encontrassem.

“Eu sabia que ela não estava mais viva, eu tinha visto que ela não se mexeu depois que ele atirou, mas mesmo assim eu queria saber dela, eu queria saber como ela estava”, falou.

Para a estudante, o namorado da irmã a traiu, uma vez que ela acreditava que ele era uma boa pessoa e que gostava muito dela. “Ela confiava nele. Como era uma pessoa nova na nossa vida, eu tinha dito para ela tomar cuidado, mas ela sempre dizia, ‘ele é uma boa pessoa e gosta de mim’. Ela jamais imaginava que ele faria isso”, falou.

O relacionamento

Segundo Ilana, o casal havia se conhecido em uma festa e como estudavam na mesma faculdade, continuaram a conversa e foram se envolvendo. A surpresa veio quando no último Dia dos Namorados, Iarla foi pedida em namoro com direito a buquê de rosas. “Ela estava encantada, chegou contando como ele havia feito o pedido e que havia aceitado. Eu sabia que eles estavam conversando há alguns meses, mas não imaginava que eles iriam namorar”, disse.

Ilana Lima conta ainda que ela estava decidida a terminar o namoro com Silva Neto antes de voltar para sua cidade natal, em Governador Eugênio Barros, município do Maranhão localizado a 200 km de distância da capital do Piauí onde o corpo de Iarla foi enterrado. “Ela disse que estava muito feliz e que gostava muito dele, mas que não o amava. Fazia pouco tempo que ela tinha se separado, acho que ela não queria se envolver seriamente com mais ninguém”, contou.

O futuro

Iarla Lima tinha apenas 25 anos. Era uma jovem de família simples, perfeccionista, determinada, cheia de planos, que adorava ajudar os outros. Segundo as pessoas mais próximas, era difícil não gostar dela. A irmã da jovem conta que o desejo de Iarla era após o término do curso de arquitetura, ir morar em outro lugar para estudar e ter uma vida melhor.

“Ela sempre dizia que iria retribuir tudo que a mãe tinha feito pela gente, que ajeitaria nossa casa e que quando terminasse o curso iríamos morar em outro Estado para poder ter uma vida melhor. Ela era muito sonhadora, positiva e corria sempre atrás dos seus objetivos”, afirmou.

Ilana Lima não irá mais voltar á casa onde as duas moravam em Timon, ela deve ficar alguns meses morando com a mãe na cidade natal, até se sentir a vontade para voltar a sua rotina. “Não sei ainda como vai ser. Sei que não queria ver esse homem nunca mais e sei que nunca vou esquecer na minha irmã, fazíamos tudo juntas, então vai ser complicado, mas imagino que ela esteja bem agora”, finalizou.

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