‘Não se nasce mulher, morre-se’: a história de três amigas e um TCC sobre feminicídio no Brasil (Capricho – 27/11/2015)

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Como uma ideia de Trabalho de Conclusão de Curso pode mudar o mundo.

Alguns estudantes já precisam entregar um projeto de TCC no Ensino Médio. Outros precisam apresentar o Trabalho de Conclusão de Curso para serem aprovados na faculdade. É o caso da Catherine Debelak, 22 anos, da Marina Garcia, 21, e da Letícia Dias, 21, estudantes de comunicação da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.

As amigas discutiram bastante antes de fecharem o tema do projeto. “Primeiro, decidimos que queríamos fazer algo de cunho social. Depois, fomos buscar alguns temas ligados ao feminismo e nos deparamos com o feminicídio (ou femicídio)”, contam. Foi assim que surgiu o TCC Feminicídio no Brasil.

O que mais chamou a atenção das meninas foi um dado em especial sobre violência contra a mulher. “Fizemos uma pesquisa e descobrimos que, na época, o Brasil era o sétimo país que mais matava mulheres. Decidimos que era necessário falar sobre feminicídio e fomos atrás de personagens”, as estudantes explicam.

O projeto de TCC das meninas é uma reportagem multimídia, com textos, fotos e vídeos (que você pode conferir na íntegra clicando aqui!). São quatro personagens no total; e uma das maiores dificuldades do projeto foi, justamente, encontrá-las. Para isso, foi preciso pedir a ajuda de colegas, professores e grupos feministas no Facebook. “Outro desafio foi manter a postura jornalística ao ouvir histórias tão tocantes e tristes. Deu vontade de chorar…”, lembra Catherine, que conta qual foi a história que mais a marcou:

Visitamos um abrigo para mulheres em situação de violência. A maioria delas tinha sido ameaçada de morte pelo próprio companheiro, muitas vezes pai de seus filhos. Para chegar até lá, precisamos primeiro combinar um ponto de encontro e, só depois, fomos levadas por um transporte da instituição, pois o endereço era sigiloso. Parecia coisa de filme. É muito surreal você ter que deixar sua vida para trás para garantir que possa continuar a vivê-la.

 

Para o TCC dar certo, as amigas precisariam viajar para entrevistar suas personagens. E isso só aconteceria se elas tivessem grana. Uma campanha no Catarse ajudou as estudantes a arrecadarem R$ 8.840, que foram usados para cobrir os gastos com transporte e hospedagem. Elas foram para Curitiba, Brasília, Teresina, Manaus e Vitória.

Visibilidade é o principal intuito das meninas. Elas querem que o assunto seja discutido. “Assim como a redação do ENEM deste ano, acreditamos que a nossa reportagem foi um singelo passo em direção a igualdade de gênero”; e a Marina, uma das integrantes do grupo, explica o porquê:

Uma frase dita pela Stephanie, uma de nossas personagens, me chamou a atenção: ‘eu acho que por mais esclarecida que uma mulher seja, nenhuma esta a salvo. Nenhuma’. A cada nova cidade que visitávamos, essa frase se tornava mais e mais real.

 

 

Com o projeto, as estudantes de comunicação descobriram que há muitos casos de feminicídio no país que sequer são registrados!  Quanto mais inacessível a cidade é, como acontece com algumas regiões amazonenses, em que só é possível chegar de barco, mais vulneráveis as mulheres ficam. É por esse e outros motivos que o feminismo é tão importante, como ressalta a Letícia:

Eu entendo a negacão (do feminismo) como um mecanismo de defesa. Depois que essa resistência inicial passa, você quer fazer alguma coisa; e você descobre que tem muita coisa a seu alcance, desde conversar com uma amiga sobre experiências em comum até criar um canal no Youtube para falar sobre feminismo! Ou, então, abordar o tema no seu TCC.

 

E com um projeto desses, meninas, o dez já está garantido! Pelo menos, o nosso – e o de inúmeras mulheres ao redor do mundo. Boa sorte na banca do TCC e obrigada! 😉

Isabella Otto

Acesse no site de origem: ‘Não se nasce mulher, morre-se’: a história de três amigas e um TCC sobre feminicídio no Brasil (Capricho – 27/11/2015)