“Não tem 30 monstros juntos. Não tem patologia nisso”, diz promotora sobre estupro coletivo (Marie Claire – 28/05/2016)

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Para Silvia Chakian, promotora de Justiça e coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (GEVID), do Ministério Público do Estado de São Paulo, a realidade brasileira é similar à indiana no que diz respeito à violência contra a mulher

O estupro coletivo de uma jovem de 16 anos, no Rio de Janeiro, chocou o país na última semana. A adolescente foi violentada por mais de 30 homens e o crime foi amplamente divulgado nas redes sociais pelos próprios suspeitos.

Diante de tanta barbárie, milhares de pessoas foram à público exigir punições severas e pedir um enfrentamento rigoroso no que diz respeito à violência contra a mulher que toma conta do país. De acordo com o último anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, datado de 2014, a cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil.

Inconformados, muitos se perguntaram o que leva 30 homens a cometer um crime tão bárbaro contra uma adolescente. Em entrevista à BBC, Silvia Chakian, promotora de Justiça e coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (GEVID), do Ministério Público do Estado de São Paulo, afirma se tratar de uma questão absolutamente cultural.

“Não tem 30 monstros juntos. Não tem patologia nisso. É uma questão cultural. São 30 pessoas que participaram do crime e nenhuma delas agiu para evitar que aquele crime acontecesse. Isso revela uma sociedade criminosa e violenta contra a mulher. Que enxerga que o corpo da mulher é feito para o homem usufruir”, disse.

Ainda segundo a promotora, o crime foi bastante agravado com a exposição das imagens na web. “A impunidade anda de mãos dadas com a violência. Precisa haver uma punição exemplar e essa punição tem que ser divulgada para que a sociedade saiba. Temos que conscientizar essa sociedade de que quem compartilha, quem faz piada, (está agindo de modo) tão grave quanto ao do estuprador.”

O caso aconteceu um ano após um episódio semelhante ter sido registrado em Castelo do Piauí e dias depois de uma adolescente de 17 anos ser vítima de abusos sexuais cometidos também por um grupo de rapazes em Bom Jesus – ambos no Piauí. De acordo com a promotora, crimes graves como esses tendem a ser comuns em países onde a desigualdade de gênero é acentuada.

“As pessoas falam da Índia e se chocam a cada caso de estupro lá, mas a Índia é aqui. Gerou repercussão o caso de lá, mas a nossa realidade é similar”.

A solução, segundo ela, está na punição exemplar e, acima de tudo, na realização de “um trabalho de educação de gênero, de respeito ao corpo da mulher e aos direitos dela”.

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