No Acre, delegacia registra 1,3 mil casos de violência contra mulher em 2016 (G1/AC – 13/08/2016)

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Maioria dos agressores são ex-companheiros e ex-maridos, diz delegada. Índice é de 30 denúncias diárias, segundo delegada Juliana De Angelis.

Mais de 1,3 mil casos de violência contra mulheres foram registrados no primeiro semestre de 2016, na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Rio Branco. Ao menos 30 mulheres agredidas física ou psicologicamente procuram ajuda todos os dias na delegacia, segundo a delegada titular da unidade, Juliana De Angelis, e mais de 220 inquéritos são instaurados por mês.

Delegada afirma que a maioria dos agressores são ex-companheiros e ex-maridos (Foto: Iryá Rodrigues/G1)

Delegada afirma que a maioria dos agressores são ex-companheiros e ex-maridos (Foto: Iryá Rodrigues/G1)

No período, segundo os dados divulgados pela delegacia, três mulheres foram vítimas de feminicídio, sendo que dois deles foram considerados crimes passionais, quando praticado por ex-companheiros ou companheiros motivados por ciúmes e/ou sentimento de posse.

Além disso, outras sete mulheres foram vítimas de tentativa do mesmo crime. A delegada afirma que a maioria das vítimas têm entre 25 e 32 anos.

Em 2016, foram também registrados 13 inquéritos por estupro e quatro por tentativa do mesmo crime contra mulheres na capital.

Os dados apontam que o tipo de crime mais comum nos boletins de ocorrência emitidos pela instituição de janeiro a junho foram aqueles contra a honra e ameaça, em segundo lugar aparece a lesão corporal.

Juliana vivencia o cotidiano do local há mais de cinco anos, quando assumiu a unidade como plantonista e afirma que a maioria dos agressores são mesmo ex-companheiros e ex-maridos. Dos casos registrados na delegacia diariamente, mais de sete são de violência doméstica.

A Lei Maria da Penha, que pune agressores de mulheres na família ou em casa, completou dez anos na sexta-feira (8). Apesar da existência da medida, a delegada relata que muitas mulheres ainda têm medo de denunciar os agressores.

“Muitas têm medo das constantes ameaças que sofrem. Há situação também de dependência afetiva e financeira, sendo que a afetiva é ainda maior, já que percebemos que, às vezes, a mulher é quem trabalha e o homem é usuário de álcool e drogas e não tem uma renda. Mas, tem essa dependência afetiva por causa dos filhos”, afirma a delegada.

Ela enfatiza, no entanto, que a denúncia impede que o agressor cometa um crime mais grave. Juliana reforça que é importante que os casos cheguem ao conhecimento da polícia para que o agressor seja penalizado.

“A gente aconselha que as mulheres procurem a delegacia, e se não tiver meios, tem os telefones de emergência da polícia, 190 e 180. E temos aí uma rede inteira de atendimento à mulher em Rio Branco, que atua diuturnamente”, alerta.

No primeiro semestre de 2015, a delegacia registrou 1473 casos de violência contra a mulher, sendo 125 a menos que nos seis primeiros meses deste ano. A delegada avalia que a redução seja por conta do trabalho intenso da polícia.

“Infelizmente a gente sabe que a demanda é grande, e que muitas situações não chegam até nós. Mas, estamos tentando coibir esse tipo de ação criminosa”, conclui a delegada.

Justiça registra mais de 3,7 mil processos de violência contra mulher
O Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) informou que mais de 3,7 mil processos relacionados a casos de violência doméstica e familiar tramitam atualmente na Vara de Proteção à Mulher, em Rio Branco. Desde sua implantação, em 2009, a Vara registrou 791 condenações.

Dados da Justiça apontam que no primeiro semestre de 2016 foram deferidas quase 900 medidas protetivas à mulheres vítimas de violência doméstica e familiar na capital acreana. Já os dados de 2015 apontam mais de 1,9 mil medidas protetivas de urgência.

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