Nova etapa da maior pesquisa sobre violência de gênero da América Latina tem início dia 28 (UFCE – 23/03/2016)

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Tem início na próxima segunda-feira (28), às 8h30min, no auditório da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC – Rua Marechal Deodoro, 400, Benfica), mais uma etapa da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (PCSVDFMulher), conduzida pelo Programa de Pós-Graduação em Economia (CAEN) da Universidade Federal do Ceará em parceria com o Instituto Maria da Penha (IMP). Na ocasião, será realizada a aula inaugural do treinamento das 40 primeiras pesquisadoras que entram em campo, em abril, no Estado do Ceará.

Na solenidade, estarão presentes o Reitor da UFC, Prof. Henry Campos; o coordenador do estudo, Prof. José Raimundo Carvalho; e a ativista pelos direitos das mulheres Maria da Penha. As entrevistadoras selecionadas passarão, ao longo da semana, por uma formação de 40 horas/aula, incluindo informações técnicas sobre coleta de dados, fundamentos teóricos da pesquisa, além de orientações, com base em material desenvolvido pelo IMP, sobre Direitos Humanos, Cidadania, Violência Doméstica e Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006).

Como explica o coordenador da pesquisa, Prof. José Raimundo Carvalho, serão nove treinamentos para um total de 270 entrevistadoras em todo o Nordeste, sendo mil formulários aplicados apenas no Ceará. Para o registro dos dados coletados, cada pesquisadora contará com um tablet que estará conectado a uma nuvem de dados. “Pela primeira vez no Brasil, essa coleta de dados vai ser realizada por completo não mais em papel, mas em um tablet com acesso a um grande espaço na nuvem do Banco Mundial, cofinanciador do estudo. Toda vez que uma entrevistadora terminar uma coleta e apertar o botão enviar, esses dados vão direto para a nuvem e para o meu computador, não tem mais aquele processo de pegar em papel e depois digitar. Com isso, a análise vai ser mais rápida, mais precisa, através dessa tecnologia que a gente chama de CCAP (Computer Aided Process Plaining; em português, Planejamento do Processo Assistido por Computador)”, comenta.

O professor destaca ainda que os domicílios visitados serão escolhidos através de sorteio, com endereços presentes na base de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “As entrevistadoras irão receber, direto no tablet, a lista de endereços que elas têm de percorrer e isso vai ser acompanhado em tempo real e georreferenciado. A gente vai saber qual pesquisadora vai fazer o quê e em qual casa”, declara.

Segundo Conceição de Maria Andrade, coordenadora de Projetos e Produtos do IMP, as entrevistadoras receberão, durante o curso, um material impresso, fundamentado em orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), abordando questões sobre temas como gênero, violência doméstica, políticas públicas e etnia. “A ideia é humanizar a coleta de dados. Existe toda uma metodologia que essas pesquisadoras não poderiam ir a campo sem receber orientações específicas do trato de colher dados da violência doméstica, porque não é uma pesquisa que você vá falar de produtos inanimados, vai se falar da vida da mulher, de um contexto no qual ela estará inserida”, afirma.

RADIOGRAFIA DA VIOLÊNCIA – A Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (PCSVDFMulher) tem como objetivo traçar uma radiografia da violência de gênero no Nordeste brasileiro. O estudo consistirá no maior sobre esse tema, quanto à sua escala, em toda a América Latina. Serão mais de 11 mil famílias pesquisadas, nas nove capitais nordestinas, durante dois anos. As metodologias utilizadas serão de entrevistas via formulários eletrônicos e acompanhamento.

Ao longo desse processo, será observado de que forma se apresentam atitudes de violência contra a mulher nesses grupos familiares. A previsão para a divulgação dos dados parciais do trabalho é agosto deste ano, data em que a Lei Maria da Penha completa uma década de criação. O financiamento é da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República.

Fonte: Prof. José Raimundo Carvalho, coordenador da pesquisa

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