Núcleo oferece apoio jurídico e psicológico às vítimas de estupro (Paraná Online – 22/10/2015)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

O Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (Naves), do Ministério Público do Paraná (MPPR), promoveu audiência pública sobre a violência sexual ontem, na CIC, bairro que ocupa o segundo lugar em ocorrências de estupro em Curitiba, atrás do Centro. Foram apresentados os serviços do Naves, que oferece acompanhamento jurídico e apoio psicológico de forma gratuita e sigilosa, além de orientações sobre como denunciar o crime e receber atendimento médico.

Audiência pública foi ontem na CIC, segundo bairro com mais casos (Foto: Luisa Nucada)

Audiência pública foi ontem na CIC, segundo bairro com mais casos (Foto: Luisa Nucada)

“Percebemos que as vítimas sofriam muito pra relatar a violência nas audiências, sentiam vergonha. Queremos dizer ‘você não está sozinha, quebre o silêncio’”, diz a procuradora de Justiça e coordenadora do Núcleo, Rosangela Gaspari.

Desde que o Naves foi criado, em 2013, 100% dos casos em que a vítima representou contra o criminoso foram solucionados. “Centralizo as investigações de estupro em Curitiba. Os criminosos estão sendo condenados a penas elevadas”, diz a promotora do Núcleo, Elaine Munhoz Gonçalves.

Serviço

O Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro (Naves) funciona na Rua Tibagi, 779, 8.º andar. O telefone é o (41) 3250-4022.

Orientação pra denúncia

A vítima de estupro deve procurar uma delegacia, o HC ou o Hospital Evangélico imediatamente após o crime. “É importante que não se tome banho e se mantenha a calcinha ou cueca, sem colocar a peça em saco plástico, pra que as provas não sejam perdidas”, orientou a enfermeira do HC Soran Mattioli Luz, presente na audiência.

No hospital, será administrado o contraceptivo de emergência e o coquetel de remédios que evitarão Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Eles devem ser tomados em até 72 horas após o crime. Quanto antes, maior a eficácia.

“O estupro é um crime muito subnotificado, então é importante que se denuncie. A vítima não precisa comparecer à delegacia se não quiser. Um parente pode fazer o BO por ela”, orienta a delegada-chefe da Delegacia da Mulher de Curitiba, Iara Laurek de Chiche.

Medo de andar na rua

Segundo levantamento do Naves, que cruza dados da Polícia Militar, Hospital Evangélico, Hospital de Clínicas, Delegacia da Mulher e Instituto Médico Legal, há 14 inquéritos de estupros cometidos na CIC de novembro de 2013 a outubro de 2015. No Centro, no mesmo período, são 31 inquéritos. O número relativo a todos os bairros é 197. Os dados não incluem vítimas menores de 18 anos nem de violência doméstica.

Já segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, a CIC é o bairro onde mais ocorrem estupros. Em 2014, foram 53 ocorrências, frente a 29 no Centro e 609 em toda a cidade. Em 2015, até o fim de setembro, foram 22 BOs na CIC, 15 no Centro e 415 em toda Curitiba.

A dona de casa Manoelina de Paula mora na vila Vitória Régia e não se sente segura. Ela teme pela filha, que trabalha à noite e volta tarde. “Já disse pra ela largar esse serviço, mas ela gosta. O jeito é rezar pra não acontecer nada.”

Luisa Nucada

Acesse no site de origem: Núcleo oferece apoio jurídico e psicológico às vítimas de estupro (Paraná Online – 22/10/2015)