Número de homicídios de mulheres este ano em Joinville já iguala índice de 2015 (Notícias do Dia – 11/04/2016)

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Foram registrados seis casos até o dia 8 de abril. Última ocorrência foi no bairro Vila Nova

Os moradores da rua Paulo Sérgio Santos Souza, no bairro Vila Nova, na zona Oeste de Joinville, estão chocados com os acontecimentos ocorridos por volta
das 19h30, da última sexta-­feira (8). Elizete Maria Ricardo, de 42 anos, foi morta a tiros pelo ex-­namorado, Valmir Carlos Rodrigues, 63 anos, que segundo a
suspeita da polícia se suicidou após cometer o crime.

Ao lado dele, a Polícia encontrou um revólver calibre 32. Elizete foi sepultada às 9h deste domingo (10), no cemitério Dona Francisca. Valmir foi sepultado
no sábado, no cemitério Cubatão.

Crimes como este têm sido cada dia mais recorrentes na cidade e são motivados, na maioria das vezes, pela não aceitação do término do relacionamento, por
ciúmes e pelo sentimento de posse dos parceiros.

No ano passado, Joinville fechou o ano com um recorde negativo de mortes violentas – 126, destas, seis foram mulheres. Este ano, com o assassinato de
Elizete, Joinville contabiliza 41 pessoas vítimas de mortes violentas em 2016. O número de mulheres na estatística já igualou o ranking do ano passado. Até
este domingo (10), seis mulheres foram assassinadas. Em quatro desses crimes, a polícia suspeita de crime passional.

Uma reportagem do ND de fevereiro deste ano, a matéria alertava sobre esta escalada de violência na cidade e o quanto isso refletia nas mulheres. Na ocasião
a delegada titular da Delegacia de Proteção à Mulher, Tânia Harada, aponta que os problemas sociais, culturais, de autoestima entre outros são os principais
catalisadores deste tipo de violência. Além disso, segundo a delegada, se faz necessário um incremento da rede de atendimento, no efetivo policial e que
sejam criados juizados específicos para o julgamento dos crimes contra a mulher. “Eu noto em Joinville, a não aceitação do companheiro pelo fim do
relacionamento e problema de autoestima da mulher como catalisadores de muitos casos de violência”, avalia.

Vizinhos não tinham conhecimento de violência

No caso de Elizete, o que a vizinha Ana Delazari, 64, conta, é que a vítima era divorciada há alguns anos e que havia comentado que teria terminado, há
aproximadamente dois meses, o relacionamento com Valmir.

No dia do crime, o ex­namorado estava na casa da vizinha e pediu que um dos filhos fosse ao mercado comprar refrigerante. Quando o filho da vítima
retornou pela segunda vez do mercado encontrou a mãe morta na frente de casa e o autor do crime na área da residência. “Ele deu dinheiro para o menino de
14 anos ir no mercado, o menino voltou e ele mandou de novo, para comprar ‘chips’. Foi ai que ele matou ela”, relembra.

Os vizinhos dizem que nunca souberam de nenhum tipo de violência que ela tenha sofrido do ex-­namorado, mas que sabiam que ele era muito ciumento.
“Ela dizia que ele era muito ciumento, mas a gente nunca ouviu brigas e ela também nunca reclamou de nada”, afirma Ana.

Eles contam que a dona de casa chegou a tentar pedir socorro, mas nada mais podia ser feito para ajudar. Mãe de dois filhos, os vizinhos contam que era uma
mãe dedicada e ótima vizinha.

No local onde Elizete caiu, não há sinal de sangue, somente o chinelo da vítima e um pouco mais à frente o automóvel do ex-­namorado, que ficou
estacionado perto do portão da casa.

Para dona Ana, que reside ao lado da casa da vítima, a perda da amiga está sendo muito dolorida. “Nós somos vizinhas há muito tempo, ela era muito querida
e foi uma das primeiras moradoras da rua. Eu era como uma mãe pra ela” destaca.

Duas vítimas foram baleadas na frente dos filhos

No ranking das mortes violentas este ano em Joinville o caso de Elizete Maria Ricardo se junta aos de Cláudia Mara Koppe, 44 anos, morta com um tiro na
presença do filho; de Sueli Padilha, 36, esfaqueada pelo ex­companheiro também na frente do filho; de Kivia Gomes Moraske, 19, assassinada com um tiro
na cabeça; de Carolaine Pinheiro Passos, 14, morta com um tiro na nuca; e de Juliana Maria Cidral, 32 anos, baleada em frente a uma casa noturna.

Segundo o “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres”, divulgado em 2015, 50,3% das mortes violentas de mulheres no Brasil são cometidas pelos
seus familiares. Desse, 33,2% são parceiros ou ex-­companheiros. De acordo com o estudo, aproximadamente 13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil.

Suelen Soares da Silva

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