Número de mortes violentas de mulheres chama a atenção em Joinville (Notícias do Dia – 14/09/2016)

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Neste ano até esta terça-feira já foram registrados 15 casos, contra 4 em 2015

Em menos de 72 horas, mais três assassinatos foram registrados em Joinville. Os três têm em comum o fato de as vítimas serem mulheres, todas muito jovens. O último crime registrado, ocorrido provavelmente na madrugada desta terça-feira, é um duplo homicídio, que teve como vítimas as amigas inseparáveis Gabriela Thays Rodrigues, de 20 anos, e Suellen Maia, 21. Os corpos de ambas foram encontrados por um motorista de ônibus jogados às margens da Estrada Vigorelli. O duplo assassinato acabou elevando as estatísticas de homicídios na cidade para 81 casos. Na noite de terça-feira, um corpo foi encontrado perto do Arroz Vila Nova, no bairro de mesmo nome, mas as causas desta morte não haviam sido apuradas.

Leia mais: Homicídio de mulheres triplica e chega a 15 neste ano em Joinville (DC – 14/09/2016)

Deste total, um número que chama a atenção é o fato de que 15 destas vítimas são mulheres. O número é quase quatro vezes maior do que todos os casos de 2015. Para se ter uma ideia, em todo o ano passado, quando Joinville registrou recorde histórico de assassinatos, com 129 ocorrências, apenas quatro vítimas eram mulheres. As ocorrências foram registradas na mesma semana em que o governador do Estado, Raimundo Colombo, tem agendada uma visita a Joinville para tratar justamente sobre a segurança pública.

Outro assassinato que está sendo investigado, este ocorrido na madrugada de domingo, é o da operária Agatha Christie Mafra, 29 anos, morta na zona Sul. Neste caso, o ex-companheiro é o principal suspeito, pois a vítima já havia registrado vários BOs contra ele. A equipe da DH (Delegacia de Homicídios) de Joinville ainda não tem pistas do suspeito da morte de Agatha nem explicações para as mortes das amigas.

Ao que consta, Gabriela e Suellen levavam uma vida normal, gostavam de se divertir como jovens de sua idade e não tinham envolvimento com o mundo do crime. O relacionamento de amizade das duas era tão forte que, além das demonstrações nas redes sociais, o documento de identificação de Suellen estava na bolsa de Gabriela e foi levado pela família da amiga ao IML (Instituto Médico Legal) no fim da manhã de ontem.

Família tenta entender

Segundo a irmã de Gabriela – que não terá a identidade revelada em respeito ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) – a última vez que teve contato com a irmã foi por volta das 13h30 de segunda-feira, mas não trocaram muitas palavras. “Ela estava com a cara fechada e não conversamos. Só falei pra ela me esperar para me levar para a escola e ela disse que hoje não dava”, contou à reportagem do ND.

Assim como Gabriela, que demonstrava carinho pela amiga nas redes sociais, a irmã também utilizou sua página para prestar sua homenagem. “Hoje recebi a pior notícia, que minha irmã tinha falecido. Foi um choque, pois não esperava por isso agora. E agora? Quem vai estar do meu lado quando eu mais precisar? Meu porto seguro se foi. A pessoa que me ajudava hoje não está mais aqui e me sinto mal por não poder te agradecer cada minuto que você esteve presente na minha vida. Desculpa por tudo. Sei que não vai poder ver isso, mas eu digo com sentimento e vai ser entregue a você, meu amor. Minha irmã, agora você está diante de Deus, ao lado do meu pai e o seu também, de todos nós aqui na terra. Como você sempre disse mana, Deus está com a gente. Hoje eu me sinto incompleta porque quem eu vou incomodar? Quem eu vou procurar quando estiver mal? Mas eu sei que você está em um bom lugar agora. Eu te amo tanto. Queria poder acordar e saber que isso era apenas um pesadelo. Mana, aí do céu conforta meu coração e nunca se esqueça de mim. Te amo e sempre te amarei”, declarou a adolescente.

Os corpos das duas amigas foram encontrados juntos por volta das 7h30. De acordo com moradores da região, gritos de mulheres foram ouvidos às 23h30 e às 4h. De acordo com o delegado Fabiano Silveira, o local não foi utilizado apenas como desova, mas também deve ter sido o palco da morte das duas mulheres. “A concentração de sangue nas vítimas, entre outros fatores, dão a certeza de que o homicídio aconteceu aqui”, explicou ainda no local do crime.

Ontem à noite, o delegado disse que ainda é cedo para comentar a causa do crime. Ele conversou informalmente com as famílias que, ainda abaladas, querem primeiro enterrar as vítimas para depois conversar com a polícia. “O que posso dizer é que não é um crime de um cidadão comum. Há indícios de premeditação”, resume.

Mulheres assassinadas

– Claudia Mara Koppe, 44 anos, morta em 30 de janeiro por um ex-companheiro violento que não se conformava com a separação. Assassino foi preso

– Kivia Gomes Moraske, 19 anos, grávida, morta em 15 de fevereiro em circunstâncias ainda não esclarecidas

– Sueli Padilha, 36 anos, esfaqueada pelo ex-companheiro em 22 de janeiro. Morreu no hospital no dia 28 de fevereiro. Ele foi preso no Paraná, para onde tinha fugido

– Carolaine Pinheiro Passos, 14 anos, morta em 3 de março por uma mulher enciumada pelo envolvimento da adolescente com seu marido presidiário. A assassina e sua comparsa foram presas

– Juliana Maria Cidral, 32 anos, morta em 27 de março, vítima de bala perdida, ao sair da casa noturna Meet. Os envolvidos no crime foram identificados e presos

– Elizete Maria Ricardo Vargas, 43 anos, morta em 8 de abril pelo ex-companheiro, que depois se suicidou

– Valdeliz Alberti Baumel, 52 anos, morta em 14 de abril pelo ex-genro. A bancária havia se mudado do Paraná para fugir das ameaças dele.

– Daiane Cristina Machado, 25 anos, morta em 20 de abril, junto com um amigo com quem andava de bicicleta na rua Dilson Funaro, no bairro Ulysses Guimarães

– Francine Gomes Felisbino, 28 anos, morta em 14 de maio em um bar na zona Sul. Era presidiária e estava em saída temporária do Dia das Mães

– Tânia Aguilar, 40 anos, morta em 3 de agosto. A professora foi morta pelo ex-companheiro, que acabou se matando dois dias depois, enquanto era perseguido pela polícia

Cristiane Lima Walendolf, 19 anos, morta em 7 de agosto. Presidiária, morreu em briga com uma companheira de cela no presídio de Joinville

Pâmela da Silva Gonçalves, 14 anos, morta em 28 de agosto. Vítima de uma armação de uma facção criminosa. Foi torturada antes de levar três tiros na cabeça

Agatha Christie Mafra, 29 anos, morta em 11 de setembro. Voltava do trabalho quando foi abordada por um homem. As suspeitas recaem sobre o ex-companheiro e pai do seu casal de filhos

Gabriela Rodrigues, 20 anos, morta em 13 de setembro

Suellen Maia, 21 anos, morta em 13 de setembro

Adrieli Evarini, Joinville

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