Número de mulheres assassinadas em Teresina cresceu 150%, diz estudo (G1/PI – 07/03/2013)

Delegada titular da Delegacia da Mulher, Wilma Alves, diz que homens agem com machismo (Foto: Patrícia Andrade/G1)Em 2012, 23 mulheres foram mortas contra nove ocorrências em 2011. Delegada Vilma Alves, diz que comportamento machista ainda prevalece.

Um levantamento feito pelo Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Piauí (Sinpolpi) revela que o número de mulheres assassinadas em Teresina em 2012 foi superior a 150% quando comparando com os dados de 2011. Na capital, 23 mulheres foram assassinadas no ano passado contra nove no ano anterior. Em todo o Piauí o aumento foi de 49% em relação ao ano anterior, quando 49 mulheres foram mortas.

Pelos dados da pesquisa, a cada mês de 2012 foi assassinada em média mais de quatro mulheres no estado. Segundo o levantamento, o mês mais violento foi abril com um total de nove assassinatos, seguido de março com sete mortes. Os meses que registraram menos ocorrências foram fevereiro e julho com uma morte cada um deles.

Nos chamados crimes passionais 15 mulheres foram mortas. Os casos têm registro de relacionamentos em conflito. Um dado preocupante é o elevado número de vítimas cuja causa do crime foi o seu envolvimento direto ou indireto com gangues que disputam a hegemonia da venda de drogas no Estado. Em sete dos 49 assassinatos a pesquisa registrou este suposto motivo, o que demonstra que é cada vez mais comum as mulheres liderarem gangues de traficantes.

Sobre os dados divulgados pelo Sinpolpi, a delegada da mulher no Piauí, Vilma Alves, considerou exagerado o número de assassinatos em 2012.

“Em relação a 2011, o aumento foi de quase 50%. Um absurdo. Isso mostra que o machismo exagerado e selvagem continua na sociedade”, disse.

Para a delegada, essa realidade pode mudar através de um trabalho mais efetivo de conscientização das pessoas e a promoção de debates nas escolas. “É possível diminuir esse números, com um trabalho de conscientização da nova geração. Ensinar nas escolas o valor da vida de um ser humano. Com essa ação, teremos no futuro uma isonomia de direitos entre os gêneros”, afirma.

Vilma Alves destaca que não é apenas alarmante o número de casos de assassinatos, mas também as ações violentas contra a mulher. “Se somarmos os casos de violência registrados nas três delegacias da mulher de Teresina, os números chegam a mais de seis mil denúncias”, informa.

Segundo a delegada, a Lei Maria da Penha contribui para a redução do número de casos, mas a situação ainda é preocupante. “Esta lei protege o patrimônio vida e reflete o perfil da sensibilidade feminina. Todo tipo de ameaça, constrangimento ou violência praticado contra a mulher é punido pela lei”, disse Vilma Alves.

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