Número de vítimas de feminicídio supera o de crimes por tráfico no ES (G1 – 13/05/2015)

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De janeiro a abril, 33 mulheres foram mortas, segundo a Polícia Civil. Com nova lei, acusados serão condenados a passar mais tempo na prisão.

Pela primeira vez, o número de casos de mulheres mortas por crime passional ultrapassou o número de crimes envolvendo tráfico de drogas, na Grande Vitória. De acordo com a Polícia Civil, de janeiro a abril deste ano foram registrados 33 feminicídios.

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Com a nova lei de feminicídio, em vigor desde o dia 9 de março, o ato de matar mulheres passa a ser considerado crime hediondo. Ou seja, são entendidos pelo Poder Legislativo como crimes de extrema gravidade, que geram revolta e que causam maior aversão à sociedade.

Dessa forma, os acusados de matar mulheres passam a receber tratamento diferenciado e mais rigoroso do que as demais infrações penais. A pena de reclusão passa a ser de 12 a 30 anos. Além disso, fica vetado o pagamento de fiança.

O titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM), delegado Adroaldo Lopes, ainda explica que três agravantes foram colocados na nova lei.

“A primeira é se o crime foi praticado contra gestante. A segunda se o crime foi contra menores de 14 anos, maiores de 60 ou que apresentem debilidade. A terceira se refere ao fato do crime ser praticado ou não na presença de dependentes ou ascendentes”, diz.

Ele explica ainda a importância desse terceiro fator condicional. “Ao longo desses cinco anos a frente da delegacia, são crimes cometidos por maridos, namorados, noivos, amantes, na presença de ou mães das vítimas ou filhos da vítima”, relata o delegado.

Jovem Bárbara foi assassinada em Vila Velha, Espírito Santo (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Jovem Bárbara foi assassinada em Vila Velha, Espírito Santo (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

 

Relembre alguns casos
– Bárbara Richardelle
A jovem Bárbara Richardelle foi assassinada no canteiro de uma obra em Vila Velha no dia 17 de março de 2014 e teve o corpo abandonado às margens da Rodovia Darly Santos, no mesmo município, cinco horas depois do crime. Um dia depois, o ex-namorado Christian Cunha se apresentou à polícia e confessou o assassinato.

De acordo com as investigações da polícia, dias antes do homicídio os dois já vinham discutindo bastante, após a jovem descobrir que fotos sensuais dela vazaram na internet. O delegado Adroaldo conta que o que é exposto nas redes sociais muitas vezes motiva os casos de feminicídio.

“O homem às vezes tem acesso ao teor das conversas das mulheres e vice-versa, e acabam ocorrendo alguns crimes em virtudes desse fato”, conta.

A vítima foi encontrada com sinais de estrangulamento, com o olho roxo e uma lesão na cabeça. O rapaz, Christian Cunha, contou que se alimentou de churrasquinho e guaraná ao lado do corpo. Em maio ele foi solto após ficar pouco mais de dois meses preso, porém, após decisão da Justiça, voltou a cumprir pena em regime fechado.

Dias antes de ser assassinada, a adolescente contou à mãe que vinha sendo ameaçada pelo namorado.“A minha filha foi morta em uma segunda-feira. Na sexta-feira a noite ela comentou comigo que ele estava ameaçando ela. Depois disso na segunda mesmo ela saiu para trabalhar, e eu disse que nós tínhamos que denunciar, aí ela disse: ‘Mãe depois a gente vê isso’ e saiu para o trabalho”, conta a mãe, Selma Costa.

Depois da morte da filha Selma deixa um conselho para outras mulheres. “Eu só sei que elas não devem ficar caladas. Se sofrer um mínimo de agressão, não precisa ser física não, com palavras, denuncie”, fala Selma.

Clicia Regina Alcantara foi agredida e morta dentro de casa espírito santo (Foto: Arquivo Pessoal)

Clicia Regina Alcantara foi agredida e morta dentro de casa espírito santo (Foto: Arquivo Pessoal)

– Clícia Regina Alcântara
Outro crime que chamou a atenção foi a morte da médica Clícia Regina Alcântara, que foi brutalmente assassinada dentro de casa em Cachoeiro de Itapemirim, região Sul do Espírito Santo, na madrugada de 1º de maio deste ano.

Três dias após o crime, o marido da vítima, Inácio Gabriel Peruchi, 45 anos, se apresentou acompanhado de um advogado na delegacia e confessou o crime. Ele foi preso e encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro.

Um tio da médicacontou que o marido de Clícia tinha um comportamento violento e era muito ciumento com a esposa.

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