Números mostram a realidade da violência contra a mulher (A Tribuna/MT – 02/08/2014)

Rondonópolis registrou, no ano passado, 324 crimes de ameaça e 677 casos de lesão corporal contra mulheres. Agora, só de janeiro a junho deste ano, já contabiliza 718 casos de ameaça e 322 ocorrências de lesão corporal. Os dados foram repassados pela psicóloga da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso, Ana Letícia Bonfanti Arbués, durante visita ao Jornal A TRIBUNA na tarde de ontem (1º). Membros do Conselho Municipal de Defesa da Mulher também aproveitaram a oportunidade para apresentar balanço de atendimentos.

Ana Letícia afirmou que ameaça e lesão corporal são os crimes que possuem maior incidência de registros de Boletins de Ocorrência (BO). Ela reiterou que a violência doméstica é um fenômeno complexo. Com isso, a Lei 11.340/06, conhecida como Maria da Penha, que completa oito anos no dia 7 de agosto, vem atender a este crescente número de casos.

A psicóloga explicou que o papel da Delegacia da Mulher é atender e investigar essas ocorrências. “Trabalhamos também com o acolhimento psicológico, que é um espaço que oferecemos para escutar o sofrimento que as mulheres passam. Ainda procuramos identificar a causa dos problemas e, dependendo de cada situação, encaminhamos para órgãos da rede de atendimento à mulher”.

Ana Letícia disse que as instituições que fazem parte dessa rede são as unidades do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS), Ambulatório de Violência, Pronto Atendimento (PA) e a Santa Casa de Misericórdia. Ela destacou que as mulheres não devem se manter em silêncio, mas precisam denunciar e procurar entidades como o Conselho ou a Delegacia da Mulher.

“A violência doméstica surge de forma lenta e silenciosa, até evoluir a casos de violência física. Por isso, é importante a mulher procurar as instituições de defesa. Porque nenhuma de nós deveria ser vítima dessas crueldades e se manterem caladas”, enfatizou.

CONSELHO DA MULHER

Já o Conselho da Mulher procura ouvir, orientar e fazer o encaminhamento de mulheres que sofrem violência de seus companheiros. De acordo com dados do órgão, de janeiro a julho deste ano a entidade registrou mais de 200 atendimentos.

Outra atividade atendida com grande frequência foi a condução das vítimas, onde o registro foi de 112, nesse mesmo período. Essa parte está relacionada ao encaminhamento à unidades de psicologia das universidades, Cras, Creas, Casas de Apoio, Defensoria Pública, Delegacia da Mulher, Hospitais, Fórum, Conselho do Idoso, Conselho Tutelar, entre outros.

A secretária executiva do Conselho, Maria Alice Avelar dos Santos, relatou que outra função do órgão é fiscalizar as políticas públicas voltadas para a classe feminina. Como exemplo, ela revelou que agora em agosto a entidade procurará fazer com que outros órgãos, como a Defensoria, Promotoria de Justiça e Secretaria Municipal de Saúde recorram à imprensa para divulgar o balanço de atendimentos que tem prestado às mulheres.

“Vamos fazer, também, a cada dia, palestras em escolas e Igrejas enfocando a problemática questão da violência contra as mulheres”, completou.

MENSAGEM

A segunda tesoureira do Conselho da Mulher, Vanivalda Paniago Miranda Tápias ressaltou que as mulheres precisam se sentir mais seguras e confiantes em Deus ao enfrentarem a necessidade de denunciar os casos de violência. “Deus fez a mulher sábia para que ela pudesse fazer a vida girar. Elas são as que saem para lutar, resolver problemas e ainda destilam perfume no ar”, finalizou.

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