O raio X do estupro no Brasil em 15 gráficos (O Tempo, 06/06/2016)

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Números do Ministério da Saúde de 2011 reforçam a presença de uma cultura da violência sexual no Brasil e as vítimas são as mulheres; veja

Nota inicial importante

Os dados que você lerá em breve são um recorte de 2011, quando foram registrados 50,6 mil estupros no Brasil. Número que, segundo o estudo “Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde”, está subnotificado.

O próprio relatório, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), indica que apenas 10% de casos foram notificados e estima que, no mínimo, 527 mil pessoas sejam estupradas por ano no Brasil.

Leia mais: 
33 estupros, um relato por dia: Leitoras contam suas histórias (Marie Claire, 03/06/2016)
Estupro no Brasil: a realidade é ainda mais grave (Nexo, 03/06/2016)

Vamos às contas

As vítimas

Depois dessas notas introdutórias, vamos aos gráficos. Eles mostram que não há um grupo de mulheres protegido da violência sexual. Todas correm riscos. E, some a elas, os meninos de até 13 anos, que também sofrem com estupros.

Todos os grupos

O estupro não é um problema de cor, de escolaridade ou de classe social. Todas essas categorias têm números expressivos.

Todos os grupos, mesmo

As mulheres casadas correspondem 25,80% dos casos de estupro entre os adultos.

Homem: o agressor

Mais de 90% dos estupros, no Brasil, são cometidos por homens. As mulheres citadas não chegam a 2%. Esse dado merece uma explicação histórica mais detalhada, que foi publicada no mesmo estudo do Ipea.

“A violência de gênero é um reflexo direto da ideologia patriarcal, que demarca explicitamente os papéis e as relações de poder entre homens e mulheres. Como subproduto do patriarcalismo, a cultura do machismo, disseminada muitas vezes de forma implícita ou sub-reptícia, coloca a mulher como objeto de desejo e de propriedade do homem, o que termina legitimando e alimentando diversos tipos de violência, entre os quais o estupro”, escrevem Daniel Cerqueira e Danilo de Santa Cruz Coelho.

“Isto se dá por dois caminhos: pela imputação da culpa pelo ato à própria vítima (ao mesmo tempo em que coloca o algoz como vítima); e pela reprodução da estrutura e simbolismo de gênero dentro do próprio Sistema de Justiça Criminal, que vitimiza duplamente a mulher.”, concluíram.

Quando?

Dados mostram que a violência sexual acontece, na maioria, em dias úteis. Sábados e domingos são os dias com menos registros.

Mapa do estupro

Cândido Henrique Silva

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