Ocorrências de violência contra a mulher no RS atingem marca de 38 mil no primeiro semestre de 2018 (G1 – 29/06/2018)

Delegada ressalta a importância de denunciar. Só neste ano, foram 100 prisões por violência doméstica no estado, de acordo com a Polícia Civil.

De janeiro a junho deste ano, 38 mil ocorrências de violência contra a mulher foram registradas no Rio Grande do Sul, segundo a Polícia Civil. Só em Santa Maria, cidade da Região Central, foram 1,7 mil registros.

Em muitos casos, as medidas protetivas não são suficientes. A tranquilidade das vítimas só é retomada depois que o agressor vai parar atrás das grades.

São caracterizadas como violência doméstica e familiar práticas de violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral contra a mulher.

Só neste ano, foram 100 prisões por esse crime no estado e, pelo segundo ano consecutivo, a Delegacia da Mulher de Santa Maria é a que mais prende no interior.

Moradora da cidade e hoje com 35 anos de idade, uma mulher, que não quis se identificar, conta que sofreu agressões físicas e verbais do ex-companheiro por mais de seis anos. “Principalmente após o uso do crack, isso se agravou muito. E com o ciúme, aí começaram as agressões verbais, a desconfiança, a agressão física, a me prender dentro de casa”, relata.

Porém, diferente de tantas outras, ela não teve medo e denunciou. Há menos de um mês, ela conseguiu voltar para casa, quando o homem foi preso.

“Hoje eu posso deitar a cabeça no travesseiro e dormir descansada, porque com ele solto não há possibilidades nem de ficar dentro da minha própria casa”, afirma.

A prisão preventiva do agressor está entre as 17 que foram realizadas neste ano pela Delegacia da Mulher de Santa Maria.

“Nós acreditamos que é um trabalho preventivo mesmo. Claro, não é a solução ideal sempre a prisão. Mas, de alguma forma, nós podemos conter esse agressor no momento que pode desencadear um feminicídio. Retiramos das relações da vítima a pessoa que está realmente prestes a matá-la”, afirma a delegada Débora Dias.

Os crimes que lideram os inquéritos são os de lesão corporal e ameaça. A principal motivação ainda é o ciúme.

De acordo com a delegada, os números só não são maiores porque o principal aliado da violência ainda é o medo.

“No momento em que a vítima faz o registro, ela não está mais sozinha, o estado vai intervir. Tem uma lei pra isso. É extremamente importante que haja uma denúncia, que impeça essa continuidade de violência”, ressalta.

De acordo com uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 50% das mulheres que já sofreram alguma agressão não procuram socorro depois do ato.

Para denunciar, o canal é o Disque 180. Criado em 2014, ele é válido para todos os estados do país.

As denúncias recebidas via telefone são encaminhadas aos sistemas de Segurança Pública e Ministério Público do local correspondente. Qualquer um pode denunciar.

Gabriela Fogliarini

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