ONU, Dilma e atrizes manifestam repúdio ao estupro de adolescentes (Folha de S. Paulo – 26/05/2016)

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A denúncia de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio gerou fortes reações nas redes sociais, com manifestações de indignação e a convocação de protesto contra a violência sexual.

Na internet, circula um vídeo de menos de um minuto em que a vítima aparece nua, ferida e desacordada. Na gravação, um grupo de homens, em meio a risadas, toca nas partes íntimas da garota e diz que ela foi violentada por “mais de 30”. Em 2009, a lei 12.015 foi alterada e passou a considerar, além da conjunção carnal, atos libidinosos como crime de estupro.

No final da tarde desta quinta-feira (26), as hashtags #NãoÉCulpaDela e #QueroUmDiaSemEstupro apareceram entre os tópicos mais comentados do Twitter no Brasil.

No Facebook, foi criado um selo para a foto de perfil com a frase “Pelo fim da cultura do estupro”.

“Hoje não há espaço para a alegria. O corpo de uma menina foi violentado, sua alma foi dilacerada por 30 homens”, escreveu em sua conta do Twitter a atriz e apresentadora Monica Iozzi.

ONDE FOI O CRIME Caso é investigado pela Polícia Civil e Ministério Público do Rio

“Não tem como explicar o que não tem explicação! 30 homens X 1 mina?! Vamos gritar mulherada!”, respondeu a atriz Fernanda Paes Leme, diante de alguns comentários questionando o papel da vítima no caso.

No Rio, ativistas marcaram uma manifestação para o próximo dia 1º, no centro da cidade, em movimento batizado de “Por todas elas”.

“Isso tem que parar! A brutalidade contra a mulher não pode mais ser banalizada”, protestou a atriz Nathália Dill.

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) também usou o Twitter para falar do assunto. “Mais uma vez, reafirmo meu repúdio à violência contra as mulheres. Precisamos combater, denunciar e punir este crime”, escreveu.

A ONU Mulheres Brasil, um braço das Nações Unidas no país, também divulgou nota se solidarizando com as vítimas de estupro coletivo no país. A declaração cita, além do caso do Rio de Janeiro, um estupro ocorrido contra uma garota de 17 anos, no último dia 20 no Piauí. A organização pede às autoridades brasileiras que não permitam a exposição social das vítimas. “À sociedade brasileira, a ONU Mulheres pede a tolerância zero a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização”, diz a nota.

VÍDEO

Segundo a polícia, o vídeo foi gravado na noite do último sábado (21). A jovem estava desaparecida, mas foi encontrada por um agente comunitário e levada para casa nesta quarta (25). Pela manhã, ela foi à polícia depor.

Chorei quando vi o vídeo. Choramos todos. Me arrependi de ter visto. Quando ouvimos a história, não acreditávamos no que estava acontecendo. É uma aflição muito grande. É uma situação deprimente”, disse a avó materna da adolescente, que pediu para não ser identificada.

À rádio CBN, a avó disse que ela costuma sair de casa e ir para comunidades desde os 13 anos. Disse ainda que ela é usuária de drogas há quatro anos e tem um filho de três anos.

Policiais já identificaram três homens que teriam participado do caso. Um deles seria morador da favela de Cidade de Deus e outro do bairro de Santa Cruz, ambos na zona oeste da cidade. O terceiro identificado teria sido responsável por postar o vídeo na rede social.

Responsável pelo caso, o delegado Alessandro Thies pediu que aqueles que tiverem qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores entrem em contato pelo e-mail [email protected].

Acesse o PDF: ONU, Dilma e atrizes manifestam repúdio ao estupro de adolescentes (Folha de S. Paulo, 26/05/2016)