Onze mulheres são agredidas todas as semana em Franca (GCN – 10/07/2016)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Franca, 31 de janeiro de 2016. Uma faxineira de 32 anos, do Recanto Elimar, é internada na Santa Casa após sofrer traumatismo craniano, proveniente dos socos desferidos por seu ex-marido, um vigilante, 53. Ele ainda bateu sua cabeça na parede diversas vezes, até que ela desmaiasse. Três dias depois de dor, física e emocional, o denunciou.

9 de fevereiro, Distrito Industrial. Jovem de 22 anos, do Jardim Paraty, foi agredida pelo ex, 22, em frente a uma boate. Chutes e socos desferidos causaram lesões na vítima, que passou por atendimento no PS Municipal.

30 de março, Jardim Cambuí. Desempregada de 33 anos é agredida na rua pelo marido, 36. Vítima, na época grávida de quatro meses, ficou internada na Santa Casa e fugiu. Ele foi preso.

2 de abril, Parque Dom Pedro. Por uma foto do Facebook, um homem, 41, bateu em uma doméstica, 44, e na enteada. Acabou preso depois de quebrar a porta de uma vizinha e ainda fazer escândalo dentro de uma viatura da PM.

7 de maio, Jardim Portinari. O neto, de 30 anos, deu socos, pontapés e ameaçou a avó, 65, para conseguir dinheiro. Ele está na cadeia.

20 de junho, Leporace. Por causa de R$ 30, um homem, 21, espancou a mulher, 19. Ele só parou quando a irmã da vítima chegou. Foi detido pela PM minutos depois, fumando maconha em uma praça do bairro.

Para a delegada Graciela Ambrósio, o envolvimento com drogas e até a crise são alguns dos fatores que contribuem para o aumento (Foto de: Angelo Pedigone/Comércio da Franca)

Para a delegada Graciela Ambrósio, o envolvimento com drogas e até a crise são alguns dos fatores que contribuem para o aumento (Foto de: Angelo Pedigone/Comércio da Franca)

Esses são alguns dos 277 casos registrados desde o dia 1º de janeiro até 30 de junho deste ano na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e no Plantão Policial. Eles representam uma violência constante contra a mulher e resultam em uma média de 11 vítimas espancadas semanalmente em diferentes bairros de Franca. E, no meio de tantas ocorrências, há os reincidentes: agressores que, em outras ocasiões, deixaram marcas pelo corpo em suas mulheres, filhas e até mães.

E qual a explicação para tanta violência contra a mulher e aumento, já que, no mesmo período, em 2015, foram 234 boletins de ocorrência registrados? Para a delegada da DDM, Graciela Ambrósio, os envolvimentos dos acusados com drogas, álcool e até a crise financeira que o país enfrenta são alguns dos fatores que contribuem para o acréscimo.

“É um conjunto de fatores que resultam nisso. Em muitos dos casos, o agressor é dependente químico ou alcoólatra e está desempregado. Desconta na família. E o problema não é só esse. Quando não é uma situação de flagrante, e a mulher procura a delegacia, ela denuncia. Mas, dias depois, nos procura novamente para retirar a queixa, na crença de que as coisas serão diferentes e ela não apanhará mais. Frequentemente, isso volta a ocorrer”, disse.

Ainda segundo a delegada, o número aumentou também devido à coragem que as vítimas tiveram, nos últimos tempos, de denunciar. “Antes, elas apanhavam em silêncio. Agora, ao serem ameaçadas e agredidas, e ao ver que muitos dos acusados são chamados e até presos, sentem-se motivadas a procurar a polícia na tentativa de dar um basta. Tanto por si mesmas, quanto pelos filhos e pela família. Mesmo que o medo do agressor exista, quando uma mulher chega aqui na delegacia, nós desmistificamos esse ‘monstro’ que tenta intimidá-la e mostramos que não há razão para temer e há consequências desse terror que ele causa.”

O que fazer
Além da possibilidade de procurar a DDM, na avenida Hélio Palermo, 3.612, há um número de telefone específico para receber denúncias. O 180, a Central de Atendimento à Mulher, funciona 24 horas por dia e ajuda as vítimas, oferecendo orientações do que fazer e amparo. “Qualquer mulher que se sinta agredida física, psicológica ou sexualmente, deve denunciar à polícia para o caso tenha um desfecho diferente e os responsáveis sejam punidos”, disse Graciela.

Marcella Murari

Acesse no site de origem: Onze mulheres são agredidas todas as semana em Franca (GCN – 10/07/2016)