Palestra sobre violência doméstica leva informações para 300 estudantes da rede pública (TJAL – 22/08/2016)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Promotora do Ministério Público de Alagoas orienta alunos sobre o que é a lei Maria da Penha e como denunciar agressões

Foi por meio da narração de situações reais que a promotora de justiça Maria José Alves da Silva buscou sensibilizar estudantes sobre a necessidade de compreender a Lei Maria da Penha e as variadas formas de violência contra a mulher. A palestra, ministrada nesta segunda-feira (22), foi promovida pelo Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE), eixo de trabalho da Escola Superior da Magistratura do Estado de Alagoas (Esmal).

Promotora de justiça orienta estudantes a denunciar casos de agressão. Foto: Caio Loureiro / DicomTJAL

Promotora de justiça orienta estudantes a denunciar casos de agressão (Foto: Caio Loureiro / DicomTJAL)

Cerca de 300 jovens que frequentam o 9º ano em escolas públicas de Alagoas participaram do encontro. Rosália Miliena da Silva, de 14 anos, que estuda na Escola Municipal Kátia Pimentel Assunção, localizada no bairro Jacintinho, em Maceió, foi uma das participantes.

A estudante comenta que nunca havia conversado com ninguém sobre a Lei Maria da Penha ou sobre a violência doméstica. “Agora vou saber como agir caso eu passe por determinadas situações na minha vida. Saber que temos a lei ao nosso lado evita que uma pessoa nos agrida mais de uma vez, pois ela vai sentir que haverá consequências”, ressalta Rosália.

Os rapazes também demonstraram bastante interesse na palestra. Muitos deles aproveitaram a oportunidade para tirar dúvidas sobre a aplicação da lei com a promotora Maria José.

Para a professora de língua portuguesa Ana Márcia Montenegro Ramalho, chama a atenção o fato de que alguns adolescentes não percebem que atos considerados por eles como banais, como um beijo roubado em uma festa ou um grito com a namorada, também são violência contra a mulher. “Alguns meninos pensam que a violência é apenas um tapa, um soco, uma facada. A palestra de hoje mostrou para eles que as agressões podem ser físicas, psicológicas, sexuais, dentre outras”, salienta a professora.

Cidadania

O juiz Hélio Pinheiro, coordenador do PCJE, acredita que a Esmal tem cumprido o seu papel de fomentar a cidadania e dar voz para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. “Escolhemos cuidadosamente os temas abordados nas nossas atividades. A violência doméstica, infelizmente, é uma realidade para muitos estudantes e aqui damos a oportunidade para que eles reflitam sobre o assunto e saibam que há uma lei que protege a eles e a seus familiares”, enfatiza o coordenador.

Com uma experiência de quase 20 anos no Ministério Público de Alagoas, a palestrante Maria José Alves da Silva é titular da 38ª Promotoria de Justiça da Capital e atua no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo ela, a questão da violência contra a mulher é uma um aspecto cultural da sociedade e por isso deve ser combatida desde cedo, nas escolas e nas famílias.

“A nossa sociedade é machista e sexista. A violência está impregnada nas nossas comunidades. Ora, se a violência contra a mulher é um problema cultural, ela não será modificada apenas com leis. É importante plantarmos esta semente de conhecimento nos nossos jovens para que, mais tarde, eles evoluam e dêem os frutos que a gente deseja”, pondera Maria José. “Muitas vezes as pessoas estão tão acostumadas com o desrespeito que elas nem percebem o quanto ele pode ser perigoso e cruel. As piores situações de violência não começam do dia para a noite, elas normalmente se iniciam devagar, quando ninguém está dando a devida atenção para elas”, constata a promotora.

As denúncias de violência contra a mulher podem ser encaminhadas para Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180.

Carolina Amâncio – Esmal TJ/AL

Acesse no site de origem: Palestra sobre violência doméstica leva informações para 300 estudantes da rede pública (TJAL – 22/08/2016)