Para delegada, homem que matou mulher e sogra cometeu feminicídio (A Tribuna – 28/11/2015)

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Nos próximos dias, o acusado deverá ser transferido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente. O crime ocorreu na madrugada deste sábado

Após matar a mulher e a sogra a facadas nesta madrugada (28), no Jardim Piratininga, bairro de Santos às margens da Via Anchieta, Marcelo Nascimento de Almeida, de 38 anos, foi preso em flagrante.

A versão contada por Marcelo não convenceu a delegada Daniela Lázaro. Ela o autuou em flagrante com base na recente lei que instituiu o feminicídio, em 9 de março deste ano, e determinou a sua remoção à cadeia do 5º DP de Santos. Nos próximos dias, o acusado deverá ser transferido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente.

A nova legislação considera qualificado todo homicídio cometido contra a mulher, quando as circunstâncias indiquem violência doméstica e familiar, bem como menosprezo ou discriminação ao sexo feminino.

Na hipótese de o Ministério Público (MP) ter a mesma interpretação jurídica da delegada e denunciar o acusado por feminicídio, ele deverá ser submetido a júri popular, estando sujeito a pena que varia de 24 a 60 anos, porque foram dois os assassinatos praticados.

O convencimento da delegado foi embasado pela fragilidade da versão de Marcelo, principalmente quando confrontada com os relatos das testemunhas. Os policiais militares que estiveram no local do crime afirmaram ter se deparado com uma “cena dramática”, na qual mãe e filha estavam ensanguentadas e mortas uma ao lado da outra.

Os mesmos PMs também disseram que havia muito sangue nas paredes da casa, mas não tiveram contato neste momento com o acusado, porque ele já era atendido no PS Central, onde conversava com outros policiais que para lá se deslocaram.

A Tribuna apurou que Marcelo já se envolveu em três casos de violência, todos em Santos e sem maior gravidade. Em 14 de dezembro de 2003, ele se desentendeu com vizinhos, figurando como autor e vítima de um boletim de ocorrência de lesão corporal.

No ano seguinte, em 21 de abril, ele bateu em uma prima, por causa de conflitos familiares. O terceiro caso aconteceu em 20 de junho de 2007, quando afirmou ter sido agredido pela sua ex-mulher, com a qual teve uma filha.

Eduardo Velozo Fuccia

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