Parceiros praticaram um terço de assassinatos contra mulher (Correio 24horas – 05/01/2016)

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 A maioria dos casos de violência sofridos por mulheres ocorre dentro de casa e o agressor é um homem que é ou já foi da família

Estimativas do Mapa da Violência 2015 apontam que metade dos 4.762 homicídios de mulheres no Brasil foram feminicídios. O dado leva em conta o registro de violência doméstica praticado por pai, mãe, padrasto, madrasta, cônjuge, ex-cônjuge, namorado, ex-namorado, irmão ou filho da vítima. Desde março, o feminicídio é considerado crime hediondo.

A pesquisa, feita a partir de dados de 2013, revela ainda que 1.583 mulheres foram mortas por seus parceiros ou ex-parceiros, o que representa 33,2% do total. Seguindo o mesmo método, é possível estimar que, na Bahia, das 420 mulheres mortas em 2013, 149 foram por seus maridos, ex-maridos, namorados ou ex-namorados.

A maioria dos casos de violência sofridos por mulheres tem um perfil definido: ocorre dentro de casa e o agressor é um homem que é ou já foi da família. Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde, 71,9% dos casos de violência contra a mulher foram dentro de casa. E em 59% dos casos o agressor foi o pai, padrasto, parceiro, ex-parceiro, irmão ou filho.

A Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, recebeu, apenas no primeiro semestre de 2015, 32.248 relatos de violências – 70,71% foram cometidos por homens com quem as vítimas têm ou tiveram vínculo afetivo.

“Existe essa mentalidade machista onde os homens acham que são proprietários das mulheres. Eles são pressionados pela sociedade para serem agressivos”, analisa a mestre em Filosofia e fundadora do Mapô – Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Sexualidade da Universidade Federal de São Paulo Djamila Ribeiro.

Assassinada pelo marido
A faxineira Maria José Silva, 58 anos, foi morta, com golpes de pá, pelo marido, na noite de domingo, em Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. O crime aconteceu por volta das 20h, na casa em que o casal morava, na Rua Iriguaçu, conhecida como Estrada da Cocisa.

Maria José discutia com o marido, o pedreiro José Estêvão Barbosa da Silva, 52, quando ele começou a espancá-la com o cabo de uma pá. A mulher foi atingida na barriga, peito, boca, face e pescoço.

Os vizinhos que ouviram os gritos da vítima chegaram a ligar para o filho dela, mas quando o rapaz chegou ao local já encontrou a mãe morta. O marido de Maria José fugiu logo após o crime.

No Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), José Estêvão responde a um processo de violência contra Maria José. A denúncia foi feita em 16 de maio de 2007. Ele chegou a ser preso.

Mulheres mortas por companheiros

19 de dezembro O comerciante Domingos Soares, 44 anos, matou a facadas Francileide Souza da Conceição, 26, no bairro de Vale dos Lagos. Ele acabou preso, nove dias depois, em Sítio do Conde, no Litoral Norte

16 de dezembro A depiladora Salete Macedo Souza, 26, foi morta a tiros pelo ex-namorado Jesilan Santana Silva, 27, dentro do salão de beleza em que trabalhava em Jequié, Sudoeste da Bahia

1º de novembro Nilzete Cerqueira, 58 anos, foi morta a facadas dentro de casa, no bairro do Cabula VI. Ela discutiu com o companheiro e foi atingida por vários golpes no tórax, pescoço e ombro. O marido da vítima fugiu após o crime

23 de outubro A auxiliar de serviços gerais Josilene Galdino dos Santos, 38 anos, foi assassinada também a facadas pelo marido, o vendedor Marcos Lindomar, 43, no bairro de Fazenda Grande do Retiro. O filho do casal, de 11 anos, presenciou o crime. Dois meses antes, ele havia agredido a mulher

Thiago Freire

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