Patrulha Maria da Penha de Suzano realiza 16,6 mil visitas em quase 2 anos (Portal News – 20/08/2016)

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Desde que foi implantada em Suzano, em outubro de 2014, a Patrulha Maria da Penha já atendeu 501 mulheres vítimas de violência doméstica. Durante o período foram realizadas 16.653 visitas e 17 prisões em flagrante.

A iniciativa, executada pela Guarda Civil Municipal, tem por objetivo garantir o cumprimento de medidas protetivas expedidas pelo Poder Judiciário e, consequentemente, a efetividade da Lei Maria da Penha, que completou 10 anos este mês.

Na prática, sempre que uma decisão é deferida pela Justiça, uma cópia do documento é encaminhada para a coordenadoria do programa. A partir disso, a equipe de GCMs entra em contato com a vítima e agenda uma visita na qual é realizada uma entrevista para obter informações sobre sua história de vida.

Para a coordenadora da ação, Rosemary Caxito (centro), respaldo faz a diferença (Foto: Daniel Carvalho)

Para a coordenadora da ação, Rosemary Caxito (centro), respaldo faz a diferença (Foto: Daniel Carvalho)

Assim que aceita o atendimento, a mulher passa a receber visitas da patrulha diariamente em sua residência e demais locais que compõem sua rotina tais como trabalho, escola dos filhos, academia, curso, entre outros. Além disso, a assistida tem acesso a um número de emergência restrito por meio do qual pode acionar a viatura sempre que preciso.

De acordo com o comandante da GCM de Suzano, Sérgio de Assis, ação vai muito além do que apenas garantir a segurança dessas mulheres. “A gente trabalha muito para conseguir resgatar a dignidade da vítima. Tem mulheres que nos primeiros acompanhamentos possui uma autoestima inexistente, está totalmente depressiva. Nós trabalhamos muito a parte social, de encaminhar ela para uma capacitação, para o mercado de trabalho e tenha a independência que não tinha”, comentou.

Assis ressaltou ainda a importância da parceria com os demais órgãos assistências, para que o projeto surta o efeito esperado. “Ninguém faz nada sozinho. Nós temos ligação direta com o Judiciário, com as casas de acolhimento e demais serviços sociais. Um depende do outro para tudo dar certo”, explicou.

Para a coordenadora do programa, Rosemary Ferreira Caxito, a efetividade das ações pode ser vislumbrada com base nos números. “Em 2014 eram 34 mulheres, em 2015 foram 286. Isso não quer dizer que a violência doméstica aumentou na cidade, mas sim que as vítimas estão se sentindo mais encorajadas para denunciarem, pois sabem que terão esse respaldo”, comentou.

Segundo ela, o grande diferencial do trabalho está na forma de ouvir. “A gente acaba entrando na intimidade delas. Procuramos entender a história, ser uma espécie consolo. Ao buscar ajuda, elas estão muito fragilizadas, então nosso dever não é julgar, mas sim auxiliar e para isso é preciso manter uma postura mais humana. Infelizmente isso não costuma acontecer nas delegacias. Por isso, muitas sentem vergonha de ir até lá denunciar”, concluiu Rosemary.

Quadro

Veja o volume de atendimentos da Patrulha Maria da Penha

Ano Vítimas Atendidas Visitas Realizadas Prisões em Flagrante
2014 34 611 1
2015 286 10.438 12
2016 181 5.604 04
Total 501 16.653 17

Fonte: Guarda Civil Municipal de Suzano (GCM)

Ação conscientizará os agressores sobre crime

Com o intuito de evitar a reincidência dos casos de violência doméstica em Suzano, a Guarda Civil Municipal (GCM), que já promove o programa “Patrulha Maria da Penha”, pretende implantar no município a campanha “Homens e Mulheres de Mãos Dadas”

Com o intuito de evitar a reincidência dos casos de violência doméstica em Suzano, a Guarda Civil Municipal (GCM), que já promove o programa “Patrulha Maria da Penha”, pretende implantar no município a campanha “Homens e Mulheres de Mãos Dadas”. A iniciativa, prevista para ser iniciada em novembro deste ano, é uma ação conjunta lançada por meio da parceria com os demais órgãos de assistência a vítimas, tais como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), as Polícias Civil e Militar, entre outros.

De acordo com o comandante da GCM de Suzano, Sergio de Assis, por meio da campanha serão realizadas palestras e dadas orientações aos agressores que cumprem medida protetiva com base na Lei Maria da Penha. “A própria legislação traz um artigo específico que diz que tem que ser realizado um trabalho com o agressor para que ele seja ressocializado. Juntamente a doutora Érica, que é a juíza que cuida do anexo da violência, a gente está formatando esse projeto”, disse.
Segundo ele, todos os trabalhos serão voltados para a conscientização do cidadão. “Conforme viemos acompanhando os casos de mulheres vítimas de violência no município, nós percebemos que muitas vezes o agressor possui isso enraizado dentro dele. Muitas vezes são pessoas trabalhadoras, que possuem uma família estruturada, mas que, até por questões culturais, acredita que a mulher é propriedade dele. E é justamente isso que nós precisamos mudar”, comentou.

Para ele, esse objetivo só será alcançado a partir do momento que esse sentimento de posse for extinto. “Objetivo é desconstruir essa ideia de que ‘a mulher é minha e eu faço o que eu quiser’. A gente quer mostrar que os direitos e os deveres são iguais para ambos”. (S.L.)

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