Pesquisa DataSenado sobre Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (2011)

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Mulheres acham que violência doméstica cresceu. E a proteção legal também

66% das brasileiras consideram que a violência doméstica contra as mulheres aumentou, mas 60% acreditam que a proteção contra este tipo de agressão melhorou após a criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

Realizada em 2011, a Pesquisa DataSenado revela que o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha cresceu 15% nos últimos dois anos: 98% disseram já ter ouvido falar na lei.

Sobre a pesquisa
Desde 2005, o DataSenado repete o levantamento sobre a violência doméstica contra as mulheres, com a atualização de parte das perguntas e ampliação do universo pesquisado. Em sua quarta edição, esse estudo, concluído em fevereiro de 2011, realizou 1.352 entrevistas, apenas com mulheres, em 119 municípios, incluídas todas as capitais e o Distrito Federal.

A pesquisa mostra que 57% das entrevistadas declararam conhecer mulheres que já sofreram algum tipo de violência doméstica. O tipo de violência mais citada é a física (78%); em segundo lugar aparece a violência moral (28%), praticamente empatada com a violência psicológica (27%).

Medo e rigor da lei impedem denúncias
Contudo, o medo continua sendo a principal razão principal (68%) para que as mulheres agredidas evitem denunciar os agressores.

Tabela - O que leva uma mulher a não denunciar a agressão? (%) (DataSenado, 2011)

(DataSenado, 2011)

E na opinião de 64% das entrevistadas, o fato de a vítima não poder mais retirar a queixa na delegacia faz com que a maioria das mulheres deixe de denunciar o agressor.

Aumenta nível de informação e disposição para denunciar a violência
A Pesquisa DataSenado 2011 também constatou que a maioria das entrevistadas (81%) não pensaria duas vezes para denunciar uma agressão cometida contra uma mulher. Desse total, 63% procurariam uma delegacia de polícia comum, enquanto 24% dariam preferência à delegacia da mulher. Quem usou os serviços da delegacia especializada gostou do atendimento (54% acharam ótimo/bom; 24% regular).

63% das mulheres ouvidas consideram que apenas uma minoria denuncia as agressões às autoridades e 41% acha que a mulher não é tratada com respeito no país. O percentual de mulheres que declararam já ter sido vítimas de algum tipo de violência permaneceu igual ao número obtido em 2009: a cada 5 mulheres pesquisadas, uma declara já ter sofrido algum tipo de violência doméstica e familiar.

Quase um terço ainda sofre calada
A pesquisa também procurou avaliar o limite da mulher agredida. As entrevistadas que disseram já ter sofrido algum tipo de violência, foram questionadas: após quantas agressões elas procuraram ajuda? Os resultados: 36% disseram ter procurado ajuda na primeira agressão, mas 29% confessaram não ter procurado qualquer ajuda; 24% pediram ajuda após a terceira agressão, 5% na segunda e 5% preferiram não responder.

Quando questionadas sobre o que fizeram após a última agressão, nada menos que 23% das mulheres ouvidas disseram não ter feito nada. As razões para essa atitude, segundo elas: 31% decidiram não fazer nada preocupadas com a criação dos filhos, 20% por medo de vingança do agressor, 12% por vergonha da violência sofrida, 12% por achar que seria a última vez, 5% por dependência financeira, 3% por acharem que não haveria punição e 17% citaram outros motivos.

Álcool e ciúmes são apontados como principais causas das agressões
Entre as mulheres que afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência e que citaram, espontaneamente, o motivo da agressão, embriagues e ciúmes foram os mais lembrados. Em 66% dos casos, os responsáveis pelas agressões foram os maridos ou companheiros.

“A maioria das mulheres agredidas, 67%, informou não conviver mais com o agressor, mas uma parte significativa, 32%, ainda convive e, destas, segundo a pesquisa, 18% continuam a sofrer agressões. Dentre as que disseram ainda viver com o agressor e ainda serem vítimas de violência doméstica, 40% afirmaram ser agredidas raramente, mas 20% revelaram sofrer ataques diários”, diz reportagem da Agência Senado.

Acesse em pdf (1,01 MB): Pesquisa DataSenado sobre Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (2011)

Saiba mais sobre a pesquisa no site do Senado Federal