Pesquisa ouve 19,5 mil no DF para traçar perfil de vítima de violência (G1/Distrito Federal – 11/08/2015)

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Objetivo é medir crimes não registrados para orientar políticas em 2016. Dentre as perguntas, GDF quer saber quantas mulheres foram estupradas

Com o objetivo de traçar o perfil de quem sofre algum crime no Distrito Federal, o governo pretende bater à porta de 19.537 moradores até setembro deste ano. Esta será a primeira vez uma “pesquisa de vitimização” será feita em cada região administrativa do DF. Com custo estimado em R$ 1,1 milhão, ela poderá fornecer estatísticas e relatos que dificilmente chegam até a polícia, diz o governo.

Citando um estudo de 2009 do Ministério da Justiça, o subsecretário de Gestão de Informação da Secretaria de Segurança Pública, Marcelo Durante, afirma que somente 23% das agressões e ameaças são registradas no DF. Dos casos de furtos, só 37% aparecem nos levantamentos da polícia.

Para o subsecretário, a pesquisa de vitimização – um questionário a ser aplicado em 45 minutos – vai permitir “reconhecer aquilo que de fato ocorre”. “Vamos perguntar para o morador se ele já foi vítima, se registrou o crime ou não, dentre outros pontos”, explicou Durante ao G1.

Um exemplo de crime subnotificado é o de violência contra mulher, pelo fato de a vítima não querer se expor ou não confiar na polícia. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, houve 6.938 ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha na primeira metade deste ano, em comparação com os 6.921 casos no mesmo período do ano passado. Esse tipo de agressão será um dos tópicos abordados pela pesquisa, que também investiga crimes como roubo, furto, fraudes e estelionato.

A partir dos dados coletados pelo estudo, a Secretaria de Segurança Pública vai ter em mãos novas informações: o perfil da vítima, a sensação dela de segurança e o grau de confiança e satisfação que ela tem em relação à polícia, aos bombeiros e ao governo. Após a pesquisa, a ideia é de que as pessoas entrevistadas sejam questionadas de seis em seis meses, por telefone, para analisar como evolui a percepção sobre esses assuntos.

Políticas para 2015

As perguntas foram montadas pela Secretaria de Segurança Pública em parceria com a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan). Para aplicar os questionários, uma empresa de pesquisa de opinião deve ser licitada ainda em agosto para visitar moradores das 31 regiões administrativas por dois meses. Quatro empresas já se mostraram interessadas em participar da licitação, segundo o subsecretário Marcelo Durante.

Pela agenda dele, o resultado do estudo deve ser apresentado em dezembro e vai servir de base para ações do governo já em 2015. “Vamos poder fazer políticas públicas muito mais amplas. O processo antes era muito de investigação, e agora vai ser um processo estratégico”, disse Durante. “É um movimento de profissionalização da gestão: não é só colocar a polícia para agir, mas também ir direto nas causas.”

Preparação dos entrevistadores

Organizadora da campanha “Não mereço ser estuprada”, a jornalista brasiliense Nana Queiroz considerou positiva a medida do governo. No entanto, ela afirma que o entrevistador deve ter um preparo na abordagem. “Um entrevistador mal preparado pode até humilhar uma vítima de estupro dizendo coisas como: ‘Ah, mas até que queria’ ou ‘Veja bem, isso não é estupro’”, destaca.

Marcelo Durante adiantou que a secretaria vai checar periodicamente as informações levantadas pela empresa que vencer a licitação. Também informou que um funcionário do governo deve acompanhar o processo de entrevista, para se certificar de que o questionário tenha sido bem aplicado. “Além disso, vai ter um supertreinamento para esses entrevistados. Estamos exigindo um padrão não só de qualificação, mas tem que ter um segundo grau completo”, disse ao G1.

Ele cita outra estratégia para garantir que a vítima – que já não falou à polícia – se confidencie ao entrevistador: a escolha das palavras. “Faremos perguntas mais sutis. Em vez de usar a palavra estupro, por exemplo, vamos falar de agressão contra a mulher”, ressalta. “Além disso, os entrevistadores e os entrevistados serão do mesmo sexo. Não pode botar um homem perguntando se uma mulher foi estuprada.”

Gabriel Luiz

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