PI tem três feminicídios em 24 horas e delegada faz apelo: ‘vizinhos e vizinhas, protejam nossas mulheres’ (G1 – 19/06/2018)

Segundo Eugência Villa, é preciso que a sociedade se mobilize para denunciar casos de violência contra a mulher antes que os casos acabem em morte.

delegada Eugênia Villa, subsecretária de segurança do Piauí, fez um apelo nesta terça-feira (19) após três casos de feminicídios em menos de 24 horas no estado. Segundo ela, é preciso que a sociedade se mobilize para denunciar a violência contra a mulher antes que os casos acabem em morte. “Vizinhos e vizinhas, protejam nossas mulheres”, pediu.

Os três casos foram registrados em: Paulistana, onde Gabriela de Carvalho, 22 anos, foi esfaqueada e morta pelo companheiro após uma briga nessa segunda-feira (18). Em Teresina, nesta terça-feira (19), um idoso de 66 anos, identificado como José Ribamar Costa, confessou à polícia ter matado Francinilda Pereira de Andrade, 33 anos, a pauladas. Em Piripiri, a empregada doméstica Irismar Castro, de 38 anos, foi morta pelo ex-companheiro nesta terça-feira (19).

Nesta terça-feira (19) completa também um ano da morte de Iarla Lima, atingida com quatro tiros pelo namorado, o ex-tenente do Exército José Ricardo da Silva Neto, dentro do carro do acusado. O corpo foi encontrado dentro do veículo do ex-oficial no estacionamento do prédio onde ele morava. A irmã de Iarla levou um tiro de raspão na cabeça, enquanto a amiga da vítima levou um tiro no braço.

Polícia não recebe denúncias das vítimas

A delegada Eugênia destacou que os casos que chegam até a polícia já estão no “fim da linha” da violência de gênero: a morte das mulheres. Para ela, é preciso que elas identifiquem sinais de violência antes que cheguem a agressões e tentativas de feminicídio. Para isso, subsecretária indica que procurem a Central de Flagrante de Gênero, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e o aplicativo Salve Maria.

“Há o aplicativo Salve Maria, mesmo que a mulher não tenha um smartphone, alguém próximo tem. Tem o número 190 da Polícia Militar, o 180 e o 100, a mulher precisa procurar ajuda”, orientou.

“Temos uma atividade incessante com delegadas capacitadas, mas é fundamental a mulher não tolerar nenhum nível de violência, porque muitas vezes ela não vê que está na situação de violência”, avalia.

“Ela vê como um cenário natural ser xingada, maltratada. Queremos mostrar que isso violência. Um ‘tapinha’ não é normal, um beliscão não é normal”, declarou.

Vizinhos, amigos e familiares precisam denunciar

Além da denúncia das próprias vítimas, Eugênia pediu que vizinhos, amigos e familiares esqueçam a famosa frase de que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. Para ela, é fundamental que todos denunciem.

“Essas pessoas também precisam assumir o protagonismo. Não adianta a polícia chegar num local de crime com uma mulher morta. Isso é um desastre. Se a violência não chega antes ao nosso conhecimento, como podemos evitar o pior?”, questionou.

“Nós fazemos esse apelo: vizinhos e vizinhas, protejam nossas mulheres. Precisamos resistir a essa cultura machista, porque isso é omissão, depois irão dormir com a consciência pesada sabendo que poderiam ter poupado essa vida”, declarou.

Eugênia lamentou que a polícia, quando é acionada, já não pode agir para prevenir o pior, porque não tinham conhecimento do que se passava dentro das casas das vítimas. “O que mais nos desafia é que as mulheres são mortas em ambientes em que estariam seguras, em casa, em sua residência, por isso a dificuldade de detectar esses casos com antecedência. Elas não pediram socorro na delegacia. As pessoas têm que denunciar”, declarou.

Maria Romero

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