PMs são expulsos por roubos e estupro em Várzea Grande (Diário de Cuiabá – 16/07/2016)

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Entre os muitos crimes cometidos pelos militares estão roubos, extorsões e até estupro de acusada de furto no atendimento a uma ocorrência

Após 12 anos, o Comando Geral da Polícia Militar expulsou dois policiais militares por conta de um suposto estupro cometido contra uma mulher no município de Várzea Grande. Conforme publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) que circula nesta sexta-feira (15), os policiais militares Giovanni Batista Fraga Carrijo e Franco Wilson do Espírito Santo foram acionados no dia 13 de setembro de 2004 pelo CIOSP para apurar uma ocorrência de furto no Supermercado Modelo, em Várzea Grande, localizado no bairro Jardim Aeroporto, Avenida Arthur Bernardes.

Chegando lá, os dois policiais militares não teriam registrado o boletim de ocorrência e ainda rendido a acusada para entrar na viatura. A partir daí, teriam se deslocado até um motel em Várzea Grande e obrigado a mulher acusada de furto a manter relação sexual forçada com ambos os PMs, o que caracteriza o crime de estupro.

O soldado Giovanni Batista ingressou na Polícia Militar em março de 1987 como soldado e foi para a reserva remunerada em 2010. Já Wilson do Espírito Santo ingressou na Polícia Militar em fevereiro de 1993 e ainda segue na ativa. Agora, com a demissão do serviço público, serão oficialmente desligados da corporação e perderão o direito de receber os salários.

Foi demitido, ainda, o policial militar Hilton Rodrigues Costa, em decorrência de uma decisão do Tribunal de Justiça, que lhe aplicou em junho de 2014 a pena de oito anos e nove meses de prisão e culminou na perda da sua função pública.

Ele perdeu o cargo em razão da prática de atos libidinosos e violência ao pudor cometido contra mulheres que abordava na rua enquanto exercia a função de policial militar.

Em 13 de janeiro de 2001, no município de Rondonópolis, Hilton Rodrigues Costa, na companha de outro PM, teria constrangido uma mulher ao abordá-la na rua por meio de grave ameaça com emprego de arma de fogo – e obrigado ela tirar a roupa para ser revistada.

Em outra ocasião, a dupla de PMs teria abordado outra mulher em uma zona de prostituição e a obrigado a subir na motocicleta para ser levada até um matagal. Chegando lá, teriam obrigado a mulher a ficar nua para passar a mão em seu corpo.

O Comando Geral ainda expulsou o policial militar Maçone Barroso Rodrigues por tráfico de armas. Conforme publicado no Diário Oficial, o PM foi preso em flagrante no dia 10 de fevereiro, no momento em que vendia uma arma para o caminhoneiro Ozires Pereira dos Santos, 43, em frente à sede da Cruz Vermelha, na Avenida do CPA, em Cuiabá.

Policiais montaram campana próximo ao local, até que o motorista chegou com o caminhão e encontrou o PM fardado. Eles conversaram por cinco minutos, até que o cabo entregou algo ao caminhoneiro.

A abordagem aconteceu somente após o motorista sair com o seu caminhão caçamba. O veículo foi revistado e nele localizado um revólver calibre 38 e uma caixa com 16 munições. O fato foi fotografado pela inteligência da PM. O cabo e o caminhoneiro foram detidos.

Após o flagrante, os policiais que já estavam com um mandado de busca e apreensão foram até a residência do cabo, no bairro Jardim Paraná, e encontraram quase mil munições de diversos calibres, além de carregadores de arma.

O cabo Maçone tem histórico de polêmica na corporação. Ele esteve envolvido na morte de Jaciel Monteiro Lopes, 19, no ano de 2006. Conforme reportagens da época, Jaciel foi preso no bairro Pedra 90, algemado, e colocado no camburão de uma viatura.

De lá, três policiais seguiram com ele até uma estrada deserta da região, onde o policial militar Rodolfo Santa Filho, mais conhecido como “cabo Conan”, teria descido do carro e disparado à queima-roupa duas vezes contra o detido, usando a escopeta da PM. Em seguida, teria metralhado o carro para forjar um atentado que “explicaria” a morte do rapaz.

OUTRO LADO — Procurados para responder sobre o porquê demora tanto para expulsar policiais militares envolvidos em crimes, representantes da instituição argumentaram que “a demora se dá em decorrência de vários fatores, pois primeiramente há uma investigação e abertura de inquérito policial militar. No meio do caminho, os acusados costumam impetrar recursos para suspensão de apuração. Não é uma coisa relacionada à apuração da Polícia Militar, mas questão de trâmite judicial, pois o que acontece é que eles conseguem protelamentos judiciais”, afirmou o departamento de comunicação da corporação. (Colaborou Rodivaldo Ribeiro).

RAFAEL COSTA

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