Polícia Civil esclarece 100% dos homicídios de mulheres em Bauru (JC Net – 03/09/2015)

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Nesta quarta-feira, DIG elucidou mais um feminicídio; das 53 mortes entre 2014 e 2015, 9 foram mulheres

Todos os casos de assassinatos envolvendo mulheres em Bauru, registrados entre 2014 e 2015, foram esclarecidos pela Polícia Civil. E a maior facilidade em traçar o perfil dessas vítimas é o que colabora – e muito – nas investigações. Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kléber Granja, nos dois anos, foram contabilizados nove ocorrências, sendo três delas já registradas como feminicídio por conta da vigência da nova lei. O último esclarecimento foi divulgado ontem.

Trata-se do crime contra Viviane Toledo Pires Antunes, de 41 anos, encontrada morta a facadas no último dia 22 de agosto, em uma estrada de terra na região do Instituto de Pesquisas Meteorológicas de Bauru (IPMet). Cláudio Pereira Goulart, 32 anos, e Wellington Richard de Lima Martins, 37 anos, foram presos e confessaram o delito. Motivo: discussão por causa de bebidas e drogas (leia mais abaixo).

Apesar de a Polícia Civil não ter apresentado estatística, o bom índice de esclarecimentos de assassinatos contra mulher contempla também os anos de 2012 e 2013, afirma Kleber Granja. “Desde quando assumi a DIG, em 2012, todos os homicídios contra mulheres, até o momento, foram elucidados”, garante.

Perfil da vítima

Granja explica que as investigações de assassinato partem, em princípio, de uma análise da vítima. Assim, ele diz que é mais simples estudar o perfil das mulheres do que o dos homens. “O fato de interpretar o perfil da vítima facilita muito no trabalho investigatório. É a partir disso que reunimos evidências até chegar na identificação do acusado”, disse.

“É natural da mulher ser mais situada e fincada à sua família. Ela tem uma responsabilidade maior do que o homem e isso fica bem claro nas investigações. Todas essas mulheres tinham um enredo de vida definido, uma rotina. Na hora de esclarecer detalhes do crime, esses aspectos são fundamentais para obter sucesso na investigação”, acrescenta o delegado.

Homens 

Nos casos de homicídios cuja vítimas foram homens, os números são menos expressivos. A taxa de resolução nesses dois anos é de 63,6%. Em 2014, a DIG registrou 33 homicídios. Deste total, 29 foram cometidos contra homens e oito não foram esclarecidos. Já neste ano, até ontem, Bauru havia contabilizado 20 assassinatos, sendo 15 deles contra vítimas do sexo masculino e com sete casos esclarecidos.

“Apenas um desses crimes está sem tese investigativa, pois a vítima ainda não foi identificada. O não esclarecimento implica no sinônimo de: ‘temos uma tese de investigação definida’. Isso quer dizer que, até o momento, não conseguimos estabelecer o liame da autoria para apresentar ao Poder Judiciário”, explica o delegado Kleber Granja.

Último caso resolvido: 3º feminicídio de Bauru     foi motivado por discussão envolvendo drogas

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) esclareceu, ontem, o assassinato de Viviane Toledo Pires Antunes, 41 anos. O caso foi registrado como feminicídio, o terceiro de Bauru em quase dois meses, motivado por discussões por causa de drogas.

Cláudio Pereira Goulart e Wellington Richard de Lima Martins foram presos e confessaram o delito. De acordo com o delegado Kleber Granja, na noite anterior ao crime, Viviane saiu em um Ford/Verona com os dois e mais um amigo, S.L.F. (somente as iniciais foram divulgadas), 34 anos, proprietário do carro, para irem a uma festa.

De manhã, familiares de Viviane estranharam que ela não retornou para casa e, após ler a matéria no Jornal da Cidade, com as descrições físicas da vítima, foram até o IML e reconheceram o corpo da mulher.

“Como ela saiu com o amigo, conhecido da família, chegamos até ele e apreendemos o Verona. No veículo, havia sangue e mecha de cabelo da vítima. O rapaz foi preso temporariamente e identificou o Cláudio, vizinho dele”, detalhou Granja.

Com a prisão de Cláudio, a polícia chegou até o terceiro suspeito, Wellington, detido ontem. “Eles contaram que, durante a noite toda, consumiram bebidas alcoólicas e pinos de cocaína. Em certo momento, discutiram para ver quem iria reembolsar o valor da droga, comprada por Cláudio”.

Segundo Granja, Cláudio e Wellington decidiram que matariam Viviane e o amigo dela, mas o primeiro optou por matar só a mulher, porque o rapaz era seu vizinho e poderia “complicar a vida dele”.

Já no local do crime, Wellington pegou uma faca no porta-malas do carro e a entregou para o Cláudio, autor das 10 facadas nas costas e cabeça, que mataram a mulher. Em seguida, eles fugiram do local. “S.L.F. também foi vítima e, por isso, pedimos à Justiça a liberação dele”, conclui Granja.

Marcus Liborio

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