Polícia Civil registra 50 estupros em Juiz de Fora neste ano (G1/Zona da Mata/MG – 30/09/2015)

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Casos recentes de violência sexual chamaram a atenção para o registro deste crime em Juiz de Fora e região. Em 90% dos 50 casos ocorridos em 2015, as vítimas são crianças e adolescentes. Segundo a Casa da Mulher, o aumento dos registros se deve à confiança das pessoas de que serão apoiadas e os agressores presos. A Delegada Especializada de Atendimento à Mulher, Carolina Gonçalves Magalhães, orienta pais e responsáveis como agir em casos de suspeitas.

Na manhã desta quarta-feira (30), mais uma ocorrência foi registrada na Polícia Civil. A mãe denunciou que uma vizinha abusou sexualmente da filha, uma adolescente de 13 anos que tem deficiência mental. “Na hora que fui dar o banho nela, vi que a calcinha estava suja de sangue. Entrei em desespero. Por ela ser especial, ela começou a fazer gestos com a mão, mostrando o que a mulher fez com ela. E quando passa na porta da casa da mulher, fica apavorada”, disse a mãe, que não foi identificada.

A titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Carolina Gonçalves Magalhães, destacou que é importante que os pais fiquem atentos aos sinais dados pelos filhos. “Os pais devem observar o comportamento de seus filhos e conversar sempre. Acreditar na palava deles. Muitas vezes as crianças não sabem nem falar, mas com gestos dão algum sinal ou apresentam comportamento sexual mais aflorado. Outra dica é não entregar a guarda das crianças e adolescentes, mesmo que momentânea, a pessoas desconhecidas. E se houver alguma suspeita de violência, os pais devem procurar imediatamente a Delegacia de Mulheres para que a criança seja encaminhada ao exame de corpo de delito para constatação da materialidade do crime.”

Este tipo de violência deixa marcas difíceis de ser apagadas. As famílias que procuram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher são encaminhadas para apoio na Casa da Mulher. Os dois serviços são feitos no mesmo local, no Bairro Jardim Glória, para facilitar o atendimento. “Quando chega criança que sofreu violência acionamos nosso serviço de psicologia. Em seguida, há o encaminhamento para as instituições conveniadas à Casa da Mulher para que continue o tratamento psicológico. A mãe e pai também tem que fazer o acompanhamento porque é algo que desestrutura toda a família”, explicou a coordenadora da Casa da Mulher, Rose França.

Apesar de muitos casos se tornarem públicos, a coordenadora ressalta que muitas mulheres ainda temem denunciar a violência doméstica. Ela reforça que há uma estrutura para amparar e acolher estas famílias. “A mulher muitas vezes se sente culpada quando na realidade ela é vitima. Muitas vezes também fica com medo do agressor não ser punido e dela ficar exposta à sociedade. Hoje em dia vendo esta resposta, a estrutura de proteção, tem mais coragem de denunciar”, resumiu Rose França.

Casos registrados em 2015

Nesta semana, um homem de 49 anos foi preso suspeito de ter estuprado neta de um ano em Juiz de Fora e outro homem foi agredido por ser suspeito de ter assediado uma menina na frente do pai, que não impediu. Em setembro, um homem de 38 anos foi preso e indiciado pelo estupro da filha de 14 anos e ameaça e lesão corporal contra a esposa.

Outras denúncias também chegaram à delegacia neste ano. Em abril os policiais investigaram a denúncia feita por uma mãe que encontrou no diário da filha de 10 anos o relato do estupro pelo padastro. Em março um pai foi denunciado pela ex-esposa como suspeito de abusar do filho de um ano e cinco meses no Bairro Santo Antônio.

Um treinador de futebol de 46 anos pela suspeita de ter abusado de dois meninos e uma menina, todos com menos de 10 anos, no Bairro Eldorado. No mesmo mês, vizinhos foram suspeitos de atacar uma jovem de 20 anos e uma adolescente de 13 anos nos bairros Nova Germânia e Santa Rita.

Um jovem de 24 anos e um homem de 47 anos foram presos suspeitos do estupro de uma adolescente de 13 anos e de uma criança de seis anos.

Em agosto, uma menina de dez anos foi estuprada pelo tio e também por um idoso. O caso foi denunciado depois que o irmão mais velho filmou o abuso do parente e reuniu evidências para provar o crime. Um parente que apagou o vídeo também foi indiciado no inquérito. Além disso, foi aberto inquérito para apurar a suspeita de que um menino de 10 anos foi estuprado por um homem de 48 anos, após a criança ficar dois dias fora de casa.

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