Polícia cria patrulha para proteger mulheres de agressores, em Goiás (G1/Goiás – 09/03/2016)

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Atuação de equipe reduz reincidência de crimes contra mulher, afirma PM. Idosa de 69 anos que apanhava do filho diz que parou de sofrer agressões

Com objetivo de combater atos violentos contra mulheres, a Polícia Militar de Goiás criou a Patrulha Maria da Penha. O trabalho consiste em uma equipe que vigia os agressores e trabalham para mantê-los longe das vítimas. O projeto, que tem a participação de policiais do sexo feminino, também pega as decisões da Justiça e visita casa por casa para saber se os agressores mantêm distância das vítimas.

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“Quando a gente pega, a gente faz uma seleção por região. Os setores uns que ficam mais próximos uns dos outros, já que a gente cobre toda Goiânia. E vamos durante a semana realizar essas visitas”, explica a tenente Daise Pereira Vaz.

Entre as vítimas atendidas pela Patrulha Maria da Penha está a dona de casa Lucinda da Silva, de 69 anos. Segundo a PM, ela tem um histórico de agressões cometidas pelo filho, que tem 35 anos.

Como a polícia não conseguiu localizar o homem, suspeito de agredir a idosa, o grupo foi à casa dela para protegê-la e evitar a aproximação do agressor.

“O rapaz a da policia falou para mim que mãe não denuncia filho. Mas depende. Quando a gente não aguenta mais, tem que denunciar”, desabafou Lucinda, que procurou ajuda da polícia para evitar que as agressões feitas pelo filho se repitam.

Proteção

A Justiça determinou, somente no ano passado, que 1.186 agressores mantivessem distância das vítimas em Goiânia. O alto número de casos notificados é resultado de denuncias, feitas na maioria das vezes por telefone. Há dez meses de trabalho, as equipes já fizeram 1,2 mil atendimentos na capital.

Uma das ações da patrulha foi prender um homem que agredia a sogra e a ex-mulher. O primeiro boletim de ocorrência foi registrado pela mulher no sétimo mês de relacionamento. Ela conseguiu na Justiça uma medida protetiva para manter o companheiro distante. No entanto, ela voltou com o suspeito e afirma que em menos de uma semana voltou a apanhar dele.

“Eu passei uma semana e meia mais ou menos tranquila. Depois de uma semana já começaram as agressões. Ele já começou a me bater muito. Porrada, de chute, na perna , de tudo. Foi quando eu consegui fugir dele”, contou a vítima, que procurou a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). Após a denúncia, a mulher recebeu o número do telefone da patrulha para chamar sempre que precisar.

A tenente coronel Silvana Rosa de Jesus Ramos, comandante da Patrulha Maria da Penha, afirma que o objetivo é fazer com que as vítimas se sintam protegidas. “A gente chegou na ocorrência, viu que aquela mulher não esta 100% segura, a gente faz quantas revisitas forem necessárias pra aumentar essa sensação de segurança”, reiterou.

Delegada da Deam, Magda D’Avila Cândida de Souza considera que com a equipe a reincidência das agressões contra a mulher tem diminuído em Goiânia. “A gente tem percebido que com a patrulha nas ruas, averiguando o cumprimento de medidas protetivas, tem reduzido a reincidência desses crimes”, disse.

Uma mulher, que foi vítima de violência doméstica há dez anos, e que não quer se identificar, afirma hoje vive bem com os dois filhos. Ela conta que divulga o telefone da patrulha para o máximo de mulheres e denuncia sempre que fica sabendo. O objetivo, segundo ela, é evitar que mais pessoas sofram o que ela sofreu.

“Vou passar o endereço e todos os que eu souber eu denuncio. Eu to com o papel, aqui interessante essa divulgação. Se tivesse essa lei na minha época , a coisa tinha sido diferente, porque ele teria sido punido de forma mais severa”, afirmou.

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