Polícia investiga supostas ameaças à mãe de menina estuprada em escola (G1 – 27/05/2015)

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Ela teria recebido algumas mensagens por telefone, segundo secretário. Estudante diz que foi estuprada por três alunos dentro do banheiro.

A Polícia Civil investiga se a mãe de uma menina de 12 anos que afirma ter sofrido um estupro em uma escola estadual na Zona Sul de São Paulo está recebendo ameaças dos adolescentes suspeitos de cometerem o crime ou dos familiares dos agressores.

A menina contou que foi estuprada por três meninos em um banheiro da escola após ser arrastada para o local em 12 de maio. Os três adolescentes já foram identificados e existe determinação da Justiça para internação provisória dos garotos.

“No sábado, a Polícia Civil entrou em contato com a mãe da menor que foi vítima, uma vez que ela recebeu alguns whatsapps, recebeu algumas mensagens por telefone. Nós estamos investigando isso, se ela está eventualmente sendo ameaçada pelos menores ou familiares”, disse nesta quarta-feira (27) o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes.

Em relação às mensagens, Moraes não revelou o conteúdo. “O conteúdo das mensagens nós não podemos revelar porque nós temos autorização judicial para essa interceptação e além disso essa investigação está em curso e isso poderia atrapalhar”, explicou.

O secretário negou que houve falha da polícia na investigação do caso devido à demora entre o corrido e a notificação do crime.

Internação
A Promotoria da Infância e Juventude pediu à Justiça a internação provisória dos três adolescentes suspeitos. Segundo a advogada Yasmin Chehade, que defende a vítima, a garota reconheceu três adolescentes como os agressores. “Reconheceu na escola. Apontou os três. Só conhecia um deles de nome”, disse. Os adolescentes estudam na mesma escola que a menina.

O promotor Osvaldo Monteiro analisou a documentação enviada pela Polícia Civil e conseguiu ouvir o depoimento de um dos menores antes de pedir o encaminhamento dos três adolescentes à Fundação Casa, segundo o MP. Em relação aos outros dois menores, Monteiro pediu que a Justiça emita mandados de busca e apreensão para que eles sejam ouvidos.

O conteúdo depoimento do garoto ouvido pelo MP não foi divulgado porque o caso envolve menores de idade e corre em segredo de justiça.

Estupro
A estudante disse que foi estuprada por três alunos menores de idade dentro do banheiro da escola. O caso ocorreu na Escola Estadual Leonor Quadros, no Jardim Miriam.

A mãe da menina contou que, no último dia 12, a filha foi levada pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) da escola para o pronto-socorro. No hospital, ela falou sobre o que tinha acontecido.

“Ela sofreu, sofreu durante 50 minutos”, disse a mãe. “Ela foi arrastada até o banheiro masculino por um deles, e os outros dois já estavam dentro do banheiro esperando ela. E ela foi ali, né, cruelmente agredida. Ela não os conhecia, ela não tinha amizade com eles.”

Mãe denunciou que três alunos teriam abusado de menina (Foto: TV Globo/Reprodução)

Mãe denunciou que três alunos teriam abusado de menina (Foto: TV Globo/Reprodução)

A menina está traumatizada. Depois de fazer os exames, foi medicada com um coquetel antiaids e deve ficar 30 dias em tratamento.

“É uma dor muito grande, eu queria transferir tudo que ela sente pra mim, pra não ver ela passando por isso”, afirmou a mãe. “A gente toma cuidado com o caminho, por onde passa, onde vai, avisa, orienta, fala para tomar cuidado. E, de repente, dentro da escola acontece isso. É inadimissível.”

‘Lamentável’
A ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, afirmou na semana passada considerar “lamentável” o estupro. “É lamentável. [Vejo] com muita tristeza, muita indignação. Isso não pode acontecer”, disse após a abertura do Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres, que acontece no Sesc Pinheiros, em São Paulo.

Segundo a ministra, a violência de gênero e contra as mulheres passará a fazer parte do currículo do ensino médio e fundamental no Brasil.

“Nós temos um pacto com o Conselho Federal de Educação, a Maria da Penha, eu, e com o ministro [da Educação, Renato] Janine de introduzir nos currículos de ensino médio e fundamental a temática não só de gênero, mas a temática de violência contra as mulheres. Isso já está aceito e eu tenho esperança que em 2016 isso esteja efetivamente implementado”, afirmou.

Atendimento hospitalar
Reportagem do Jornal Nacional aponta que o Hospital Pérola Byington, referência no tratamento de mulheres e crianças vítimas da violência sexual, atendeu no ano passado mais de 2.400 casos. São quase sete por dia, e em mais da metade as vítimas são crianças com no máximo 11 anos de idade.

As vítimas fazem exame de corpo de delito no próprio hospital e são atendidas por psicólogos e médicos. Segundo a pediatra Gabriela Zembruski Nunes, as vítimas chegam traumatizadas.

“Elas chegam com sentimento de culpa, chegam com sentimento de medo que o agressor possa fazer alguma coisa contra elas e a família”, explica. “Eles ameaçarem mesmo sendo da confinça da família, dizendo que vão matar a mãe, o pai, a família, a criança, então a criança chega com muito medo de ter revelado o abuso.”

Clique na imagem e assista ao vídeo:

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Tatiana Santiago

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