Por dia, DF registra um casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes (Jornal de Brasília – 13/09/2017)

Por dia, DF registra um casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes

O Distrito Federal registrou ao menos um caso de abuso sexual de crianças e adolescentes por dia no primeiro semestre deste ano. Isso mostra que o crime ainda está presente em diversos lares brasilienses. De janeiro a junho de 2017, 213 menores passaram por alguma violação sexual, segundo apontamento do Ministério dos Direitos Humanos (MDH), por meio de denúncias do Disque 100.

Em todo o Brasil, foram 9.138 denúncias para o Disque 100, e 166 na capital – em uma mesma queixa é comum haver mais de uma vítima. Ao longo do ano passado, foram 17.523 vítimas no País e 302 no DF.

Os dados ainda mostram que as meninas são as que mais sofrem abusos. Em 62,44% dos casos, elas estavam envolvidas (133). Os meninos representam 29,58% (63) do total, com a sobra de uma pequena porcentagem para os casos onde o gênero não foi informado.

Ao observar a idade da maioria das crianças e adolescentes abusados, percebe-se que eles têm entre 12 e 13 anos (23,47%) e são seguidos pelos de 15 a 17 anos (22,07%). De janeiro a junho deste ano, foram abusadas 23 crianças de 0 a 3 anos. Já os responsáveis pelo crime, em sua maioria, têm entre 25 e 30 anos – em 13,3% das queixas.

Inimigo em casa

O local em que a criança deveria mais se sentir protegida é onde mais há violações: 36,26% dos casos ocorreram na casa das vítimas. Em seguida vem a residência dos suspeitos, com 28,65% das ocorrências. O ambiente escolar ainda se prova como seguro, com apenas três situações. A maior parte das violações contra as crianças foram de abusos sexuais, 79,56%, e podem se caracterizar por uma carícia, um beijo ou até o ato sexual em si.

Crítica pela falta de políticas públicas

“Os dados foram surpreendentes e alarmantes. É um número altíssimo e preocupante, em especial por ser tratar da capital da República”, avalia o presidente da CPI da Pedofilia na Câmara Legislativa, Rodrigo Delmasso (Podemos). A comissão foi criada para auxiliar nas investigações e buscar soluções a fim de coibir ocorrências.

 

Delmasso acredita que um dos problemas é a falta de políticas públicas para conscientização e proteção das crianças e adolescentes, especialmente quando se fala da estrutura para acolhimento de vítimas e suas famílias. Ele complementa que existem grupos criminosos que aproveitam essas falhas do poder público para atrair menores na internet.

Diferentemente de outras comissões, a CPI da Pedofilia vai durar até o fim deste mandato legislativa e pretende apresentar sugestões ao governo. São elas: criar uma política de recuperação para a criança abusada; incentivar a denúncia, com campanhas em escolas e centros de saúde; e a criação de espaços de educação integral.

A coordenadora do Centro Integrado 18 de maio, local de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, Giuliana Córes, discorda da falta de políticas públicas e rebate que Brasília é uma das capitais onde existe a melhor rede para o acolhimento de crianças e adolescentes que passaram por essas situações.

Apenas nesse centro, até o dia 10 de agosto, foram 123 menores atendidos. “A gente tem um grupo de trabalho para construir políticas e fechar as lacunas. É preciso ainda melhorar o quantitativo de profissionais”, afirma Giuliana.

Identificação

Orientações aos pais e professores quanto ao comportamento dos meninos e meninas:

Esteja atento ao que a criança fala e acredite nas informações que ela tenta expressar a respeito do assunto. Ensine a criança a diferença entre um toque afetivo e um sexualizado, para que ela tenha um sentimento de autoproteção. Mostre que ela pode confiar em você para que assim seja possível que ela diga quando algo errado ocorrer. Preste atenção no humor. Quando há a variação muito recorrente, pode ser um pedido de socorro. A hipersexualização, em especial dos mais novos, pode ser um sinal de abuso.

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