Profissionais de beleza começam treinamento sobre violência doméstica (TJMS – 14/03/2017)

Mais uma ferramenta de combate à violência contra a mulher está prestes a começar e ajudar milhares de vítimas na Capital. É o projeto “Mãos emPENHAdas Contra a Violência”, inédito e promovido pelo Poder Judiciário de MS, por meio da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar e da 3ª Vara da Violência Doméstica e Familiar de Campo Grande. O treinamento das profissionais de beleza foi realizado nesta segunda-feira (13), na Casa da Mulher Brasileira.
 
A iniciativa, inédita no país, buscou parcerias com salões de beleza de Campo Grande para que suas profissionais sejam multiplicadores de informações sobre todas as formas de violência doméstica e familiar contra as mulheres. Os estabelecimentos terão um Selo de Parceria para identificar a participação na campanha.
 
Durante a tarde, as profissionais, de diversos salões de beleza da Capital, participaram do treinamento com uma psicóloga, uma assistente social e com a coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar de MS, juíza Jacqueline Machado, idealizadora do projeto. Na capacitação foi falado como identificar uma mulher vítima, o que e como falar e passar informações, sem revitimizá-la, como funciona o ciclo da violência, em que o agressor e vítima giram em torno de agressões e reconciliações, até que a agressão possa chegar em um feminicídio, que é o homicídio de uma mulher por sua condição de gênero feminino.
 
Para a juíza Jacqueline Machado, que também é titular da 3ª Vara da Violência Doméstica e Familiar de Campo Grande, especializada em Medidas Protetivas para mulheres, é no ambiente dos salões de beleza que as mulheres confidenciam problemas e, por isto, foi pensado como uma ferramenta de disseminação de informações.
 
“Nós sabemos das dificuldades que as mulheres têm em denunciar a violência doméstica, principalmente, uma dificuldade de falar para os próprios familiares. Assim, os salões de beleza são os locais onde as mulheres costumam expor seus problemas de contar sobre a vida para aquelas profissionais com quem já criaram vínculos de amizade e de conhecimento. Com a conversa e com as informações passadas pelas profissionais sobre quais os tipos de violência e como denunciar, a cliente pode empoderar-se e sair deste ciclo de violência”, explica a juíza.
 
Mas esta função de ouvir a cliente e dar uma opinião não é simples. Tudo deve ser feito de modo a respeitar o sofrimento da vítima. É isto que Lígia Freitas, dona de um salão de beleza em Campo Grande, veio buscar com o curso. Ela é parceira do projeto “Mãos emPENHAdas Contra a Violência”.
 
Lígia conta que já ouviu muitas mulheres em todo o tempo que esteve a frente de seu estabelecimento de beleza. Ela diz que não sabia ao certo como ajudá-las e, por isto, decidiu fazer parte do projeto do Poder Judiciário de MS
 
“São mulheres que sofrem agressão no lar ou até no próprio trabalho e se calam. Nós temos situações em que a cliente diz não ficou satisfeita com o cabelo e volta duas, três vezes num mesmo dia, mas na verdade era o marido que não estava gostando. Então existe a real necessidade de trabalhar com estas mulheres e nós, cabeleireiras, manicures e depiladoras podemos ajudar muito”, disse Lígia durante o treinamento na Casa da Mulher Brasileira.
 
Este foi o primeiro passo dado no projeto “Mãos emPENHAdas Contra a Violência”. No dia 17 de março, às 16 horas, será lançado o projeto no salão Estilo Juliana, que fica na rua Pernambuco, 1.872. No dia 18 de março, às 10 horas, acontece o lançamento do projeto no salão Mania de Lígia, localizado na Avenida Afonso Pena com a rua Alagoas. Na ocasião os salões receberão o Selo de Parceria para identificar a participação na campanha do Poder Judiciário.
 
Campanha –  O Poder Judiciário está engajado, durante todo este ano de 2017, na Campanha “Mulher Brasileira”, que faz parte da mobilização nacional “Justiça pela Paz em Casa”, idealizada pela presidente do STF e do CNJ, Ministra Cármen Lúcia, e que ocorre na semana de 6 a 10 de março. Por isso, o presidente do Tribunal de Justiça, Des. Divoncir Schreiner Maran, conclamou todo o Poder Judiciário, instituições e a sociedade para propagar a cultura da paz dentro de casa e conta com a participação de toda a sociedade para mudar esta realidade que vitima mulheres todos os dias.
 
A Casa da Mulher Brasileira está situada na Rua Brasília, s/nº, Jardim Imá, em frente ao Aeroporto Internacional de Campo Grande. Para informações ligue (67) 3304-7559 e o disque-denúncia é pelo número 180, com ligação gratuita e garantia de anonimato.